Delegado já tem suspeito de ser o montador da pirâmide que envolve Romário

A Polícia tem informações de que ele seria o

A polícia já tem um suspeito do assassinato de Glauber de Jesus Matos Nascimento, de 37 anos. Trata-se de Jorge Alexandre Tavares Rodrigues, o Índio, de 40 anos. A Polícia tem informações de que ele seria o "cabeça" do jogo de azar conhecido como "pirâmide" ou "contêiner", do qual o ex-jogador Romário também participaria.

- Alexandre é o principal suspeito devido à briga ocorrida entre ele e Glauber por causa da pirâmide, pouco tempo antes do crime - explicou o delegado Sérgio Lomba, da 24 DP (Piedade).

Glauber teve um grande prejuízo com a "quebra" da pirâmide e, naquela ocasião, foi cobrar satisfações de Alexandre. Os dois chegaram às vias de fato e Glauber teria ameaçado Alexandre de morte. Segundo informações repassadas à polícia, Romário presenciou a briga e, para apaziguar os ânimos, teria dado a Glauber seu jipe Hummer H2. Um veículo novo deste modelo é avaliado em R$ 400 mil.

Seis meses após a morte de Glauber, investigadores da 24 DP ainda não conseguiram localizar Alexandre para intimá-lo a depor.

- Já estivemos em três endereços de Alexandre no Recreio dos Bandeirantes e em um local no Centro, mas não o encontramos. Temos informações de que ele estaria fora do estado - disse Lomba.

Em nome da mulher

A polícia já descobriu que o Hummer que Romário teria dado a Glauber está em nome da atual mulher do craque, Isabella Bittencourt. A transferência do veículo para Isabella foi feita em 22 de janeiro - 12 dias após a morte do Glauber. Até então, o jipe estava em nome de uma revendedora de veículos. Os investigadores, porém, ainda não sabem onde o Hummer está.

- Vou ouvir o depoimento de Isabella. Como o jipe está em seu nome, vou perguntar a ela se, em algum momento, Romário deu o veículo a Glauber. Também quero saber onde o carro está agora - afirmou o delegado.

Informações no Disque-Denúncia

O Disque Denúncia (2253-1177) recebeu cinco ligações sobre o "contêiner", aplicação financeira que deixou várias pessoas lesadas no Rio, principalmente na Barra da Tijuca. O nome de Jorge Alexandre foi citado algumas vezes como o idealizador do esquema. Já o nome de Romário não aparece nas denúncias.

Os registros foram feitos em julho do ano passado. Num deles, há informações de que uma oficina de automóveis no Recreio dos Bandeirantes funcionaria como posto de lavagem do dinheiro obtido no esquema.

As mercadorias do suposto contêiner, de acordo com as denúncias, seriam contrabandeadas e originárias da China. O contêiner foi gerado sob o pretexto de reunir investimentos para liberação de mercadorias no Porto do Rio. O participante tirava lucro de 30% em cima do aporte inicial dentro de 30 dias.

Todas as informações foram repassadas ao Setor de Inteligência da Polícia Civil e à Polícia Federal.

Ex-craque admite estar passando por dificuldades

Acostumado a marcar gols, Romário aprendeu, agora como aposentado, a jogar na defesa fora das quatro linhas. No lançamento de sua biografia e seu site oficial, numa livraria do Shopping Leblon, o ex-craque admitiu estar passando por sufoco financeiro, falou de sua noite numa sala da 16 Delegacia Policial devido à dívida de pensão alimentícia, mas se esquivou quando o assunto foi o "contêiner", aplicação financeira em forma de pirâmide que teria lhe deixado um prejuízo de R$ 10 milhões.

- Não estou envergonhado com nada. Sou feliz. Atravesso turbulências. Mas sempre fui um guerreiro. Independente das coisas que saem, vou continuar orando a Papai do Céu. Tomara que o livro vire um best-seller para continuar pagando a pensão alimentícia. Estou precisando, né? - disse ele. - Se fossem R$ 7 milhões (dívidas), estava bom.

A seu estilo, com dose de ironia, Romário se esquivou sutilmente dos assuntos com suas tiradas. Interrogado a respeito do "contêiner", o Baixinho afirmou desconhecer a pirâmide financeira que, ao ser quebrada, desmoronou em cobranças.

- Isso é uma das situações que o tempo vai dizer. O que for da Justiça (pensão alimentícia, por exemplo), pago o que tiver que pagar. Sou um cara do bem. Nunca tive intenção de lesar alguém. Nunca roubei, nem matei.

Em relação ao jipe Hummer H2, que teria sido dado a Glauber Nascimento para pagamento de dívida pelo "contêiner", Romário adotou a retranca.

- Na verdade, não posso dizer se isso procede ou não procede. A gente (ele e o advogado) vai tentar provar que sou inocente - disse.

Fonte: Extra, extra.globo.com