Delegado ouvirá especialista para entender uso de caneta para aplicação de insulina em Joaquim

Delegado ouvirá especialista para entender uso de caneta para aplicação de insulina em Joaquim

Polícia suspeita que Joaquim tenha recebido superdosagem de remédio.

O delegado Paulo Henrique Martins de Castro, que chefia a investigação sobre a morte do menino Joaquim Ponte Marques, disse nesta quarta-feira (13) que as canetas usadas na aplicação de insulina no garoto, que sofria de diabetes, foram apreendidas e serão periciadas. Castro afirmou ainda que ouvirá um especialista que possa explicar o funcionamento do aparelho e os perigos de uma superdosagem do medicamento no organismo, uma das hipóteses da polícia para a causa da morte.

Castro afirma que a mãe do garoto, a psicóloga Natália Ponte, contou em depoimento que o marido, Guilherme Longo, tentou se suicidar dois dias antes do desaparecimento da criança, aplicando em sim mesmo duas doses do remédio usado no tratamento de Joaquim. Entretanto, após a mãe entregar à polícia o aparelho usado na aplicação, que estava na casa da família, Longo teria contado outra versão, afirmando ?ter feito uma autoaplicação de 30 unidades de insulina.?

?Devemos agora conversar com técnicos da área para que a gente possa entender o mecanismo de funcionamento dessa caneta, para depois chegar a uma conclusão com relação às canetas e à quantidade de insulina?, afirmou o delegado, destacando que o profissional da área da saúde pode ser ouvido ainda nesta quarta-feira (13). ?Isso se o tempo for hábil, mas espero até o final da semana ter alguma posição em relação às canetas.?

Em depoimento, Natália também teria afirmado que, dias antes do desaparecimento de Joaquim, encontrou pesquisas que Longo fez na internet, pelo celular, sobre aplicação de insulina. A psicóloga, entretanto, não questionou o marido sobre a busca porque "este fato se deu depois que foi descoberta a diabetes de Joaquim", como consta no inquérito.

Principal suspeito

Com base nessas informações, o promotor Marcus Túlio Nicolino disse acreditar que a morte de Joaquim tenha sido premeditada. Para Nicolino, Longo é considerado o principal suspeito do crime. Isso porque, a mãe também contou, em depoimento, que o marido era extremamente ciumento e que o casal discutia frequentemente por causa do ciúme que Longo sentia do enteado.

"Existem duas linhas de investigação. Uma era de que ele é um padrasto preocupado com a doença do menino, queria se cercar de todas as cautelas, queria conhecer a doença, saber a quantidade de doses a serem aplicadas diaramente e a outra linha é que ele já pensava em dar fim a vida do menino com insulina", afirmou.

Nicolino explicou que a pesquisa realizada pelo padrasto no celular pode ser uma evidência de que Longo planejava uma forma de matar Joaquim, sem que a causa da morte o incriminasse posteriormente. "A insulina é um material que sintetiza muito rápido no organismo. Se ele aplicasse uma alta dose no corpo do menino, que o levasse a morte, e depois jogasse esse corpo nas águas, como de fato aconteceu, com certeza a perícia não teria condições de saber se esse menino recebeu uma dose excessiva de insulina."

O promotor não descarta, porém, a participação de Natália no desaparecimento e na morte da criança. A mãe e o padrasto estão presos desde domingo (10), após o corpo de Joaquim ser encontrado no Rio Pardo, em Barretos (SP). Nesta terça-feira (12), a polícia apreendeu objetos pessoais do casal e roupas de Joaquim, que estavam na casa onde a família morava, em Ribeirão Preto (SP). A Justiça também concedeu a quebra do sigilo telefônico de Natália, de Longo e de familiares próximos.

Superdosagem

A farmacêutica Eliane Umeda explica que os aparelhos de aplicação de insulina - popularmente chamados de canetas para tratamento de diabetes - são escolhidos por pacientes que dependem do uso contínuo do medicamento, por serem mais práticos que as tradicionais agulhas descartáveis.

Eliane confirmou também que o tipo de insulina usada por Joaquim tem efeito rápido e age no organismo em até três horas. Além disso, a farmacêutica explica que uma alta dosagem pode levar o paciente a um quadro de hipoglicemia, cujos sintomas são suor, tremor, desmaio e até convulsão.

?O ideal é levar [o paciente] a um pronto atendimento ou hospital, para que seja socorrido de imediato, adequadamente. Se isso não for feito, a pessoa pode vir a entrar em coma e possivelmente falecer.?

Fonte: G1