Detentos são flagrados com cocaína e pedras de crack dentro de presídio em Fortaleza

O detento Coelho comandava a venda da cocaína e de pedras de crack,

Um esquema de tráfico que levava drogas para dentro do Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO II), e que era controlado de dentro da própria cadeia, foi desarticulado pela Delegacia de Narcóticos (Denarc).

Pasta de cocaína era trazida do Exterior - principalmente da Bolívia - até Manaus (AM) e, daquela capital, chegava - via terrestre - a Fortaleza.

Na Capital cearense, parte da droga era redistribuída e ia parar nas mãos de traficantes de diversos bairros. A outra parte era levada para o interior do IPPOO II.

Dentro daquela unidade prisional, Jacques de Sousa Santana, conhecido como ´Coelho´, comandava a venda da cocaína e de pedras de crack, droga derivada da primeira. As ´encomendas´ eram feitas diretamente a ele que, por telefone celular, fazia contato com seu principal braço no tráfico; Alexandre Luís dos Santos.

Negócio

´Coelho´ havia sido preso, em junho deste ano, pela equipe da Denarc, sob a acusação de tráfico. Mesmo estando atrás das grades, ele continuava atuando na venda de entorpecentes, um negócio mais arriscado e que envolvia outras pessoas.

?A quadrilha era bem organizada. Além de ´Coelho´, que chefiava o grupo de dentro do presídio, e de Alexandre Luís, seu braço do lado de fora da cadeia, várias mulheres eram recrutadas para a tarefa de ´mulas´ (transportar as drogas da origem ao destinatário). Parte delas viajava para fora do País com a missão de ir apanhar a droga. Outra parte era aliciada para entrar no presídio com a droga nos dias de visita?, destaca o delegado César Wagner Maia Martins, titular da Delegacia de Narcóticos. Ele e sua equipe trabalharam sigilosamente para chegar ao bando.

A rede de tráfico descoberta pela Polícia Civil contava com, pelo menos, dez pessoas. Alexandre Luís acabou sendo preso na rodovia CE-060, na Pajuçara, em Maracanaú (Região Metropolitana de Fortaleza), quando passava, de carro, em frente à Central de Abastecimento (Ceasa).

Com Alexandre, foram apreendidas 166 gramas de cocaína e 50 gramas de crack. ?Descobrimos que esta droga iria ser levada para o IPPOO II. Foram mais de dois meses de investigações para chegarmos ao indivíduo da quadrilha que era mais próximo do ´Coelho´´, explica o delegado.

Alexandre foi autuado em flagrante por tráfico e ´Coelho´, mesmo preso, está sendo indiciado por associação para fins de tráfico. Algumas mulheres também estão sendo investigadas. ?Trata-se de pessoas humildes, parentes de presos. Algumas já com envolvimento anterior no tráfico de drogas?, adianta César Wagner. Outros presos que estavam recebendo a droga também estão sendo alvos de investigação pela equipe da Denarc.

Facilitação

A presença de drogas dentro do IPPOO II vem sendo um dos motivos das constantes tentativas de fuga naquela unidade carcerária. Com o dinheiro arrecadado na venda de cocaína e crack, alguns presos estariam criando uma espécie de poupança para financiar as fugas, seja através da escavação de túneis ou buracos nas celas, ou ainda subornando agentes prisionais e policiais militares para facilitarem as investidas.

A própria Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) não afasta a possibilidade de envolvimento de agentes públicos nas recentes fugas registradas no sistema penitenciário.

Mesmo sendo considerado um presídio bastante seguro, o IPPOO II estaria sendo alvo da corrupção de alguns funcionários. Esta suspeita ficou mais evidenciada no mês passado, quando três presos conseguiram escapar dali.

Os fugitivos foram identificados como Henrique Silva Sousa, 24; Jean Luís de Lima, 34; e Paulo Roberto Pereira da Silva, 24, que cumpriam pena por crimes de homicídio, assalto e furto, respectivamente.

A própria diretora do IPPOO II, Ruth Leite Vieira, não descartou a possibilidade de facilitação, fato que resultou no afastamento de alguns agentes que ali trabalhavam.

Paralelamente ao afastamento dos agentes, a Sejus, através da Coordenadoria do Sistema Penal (Cosipe), abriu sindicância administrativa para apurar o fato.

Ruth informou à Imprensa ter achado estranho o fato de os presos terem escapado do presídio através da muralha, usando uma ´teresa´ (corda feita com lençóis). O local escolhido por eles foi próximo de uma guarita desativada. Já os PMs que estavam noutra guarita, mais próxima, disseram não ter visto nada. Uma semana depois, a Sejus fez um rodízio entre os diretores de vários presídios da Capital.

FIQUE POR DENTRO

´Consórcio da morte´ encomendou execuções

A permanente ação de traficantes de drogas mesmo dentro das unidades penitenciárias não é um ´privilégio´ do sistema penal do Ceará. Em todo o Brasil, grandes traficantes se utilizam de seu poder financeiro e das armas de suas quadrilhas para continuarem comandando o tráfico mesmo estando atrás das grades.

No Ceará, porém, a situação também é preocupante por conta de ações mais ousadas do que fugas e assassinatos dentro das cadeias. As autoridades policiais descobriram, recentemente, um esquema montado por bandidos de alta periculosidade para eliminar autoridades do sistema penal e da própria Polícia.

O crime ficou conhecido como o ´consórcio da morte´, uma espécie de caixa que os bandidos instituíram para financiar execuções sumárias fora da cadeia. Entre as vítimas estão agentes prisionais que resolveram não aderir ao esquema de propinas para deixar entrar nos presídios drogas e armas.

O ´consórcio´ foi também desarticulado com a identificação de vários integrantes, muitos já conhecidos pela prática de outros delitos graves.

Fonte: Diário do Nordeste, www.diariodonordeste.com.br