Entre batons e drogas: Tráfico e a maior participação de mulheres

Entre batons e drogas: Tráfico e a maior participação de mulheres

Muitas vezes, elas ocupam a função conhecida no tráfico de drogas como ‘mula’.

Nos últimos anos Teresina registrou um crescimento no número de pessoas do sexo feminino envolvidas com essa prática. Dados da Penitenciária Feminina da capital mostram que hoje, do total de mulheres presas no local, 60% delas são acusadas de envolvimento com o tráfico de entorpecentes.

No ano de 2012, 84 mulheres deram entrada na penitenciária por tráfico de drogas. Já em 2013, só até o mês de abril, já foram 42, ou seja, em apenas quatro meses já se chegou à metade do que foi registrado no ano inteiro de 2012.

Dentre as principais explicações para a entrada da mulher nesse tipo de crime está a influência do seu companheiro.

Muitas vezes, elas ocupam a função conhecida no tráfico de drogas como ?mula?, a pessoa responsável por transportar a droga sem levantar suspeita. Mas além disso, há aquelas que justificam sua entrada no tráfico de drogas com a necessidade financeira.

?Os fatores que podem influenciar a mulher a cometer esse tipo de crime são inúmeros, mas um dos mais comuns é o fato de a pessoa que sustenta financeiramente a casa, pai, irmão e principalmente o marido, ter sido preso.

Com isso, ela se sente desamparada e, para manter-se, ela começa a traficar, assumindo assim o ?negócio??, disse o delegado titular da Delegacia de Entorpecentes, Willame Moraes.

Ele acrescentou ainda que geralmente as mulheres são pequenas traficantes. ?Não é regra, mas não é comum mulheres serem grandes traficantes. Geralmente são os homens os mais perigosos?, completou.

Uma das presidiárias da penitenciária, que quis ter seu nome preservado, sentenciada há nove meses, está entre as mulheres que alegam necessidade financeira como motivo para a entrada no narcotráfico.

Seu filho, segundo ela, necessitava de uma cirurgia, que ela não tinha como pagar. O marido estava preso e a única saída encontrada foi vender droga para tentar sobreviver. ?Tenho cinco filhos e o dinheiro que eu estava ganhando já não era mais suficiente.

Fazia várias ?bicos?, mas quando surgiu a necessidade da cirurgia do meu filho, me senti obrigada a traficar?, relata. As mulheres presas hoje por tráfico de drogas na Penitenciária Feminina de Teresina são jovens, de baixa renda, mães e com pouca escolaridade.

A prisão e os dois lados do sofrimento

Ser presa, passar anos atrás das grades e, mesmo depois de posta em liberdade, carregar para o resto da vida o estigma de ex-detenta são alguns dos problemas enfrentados pelas mais de cem mulheres hoje na Penitenciária Feminina de Teresina.

Mas os problemas não param por aí. Para algumas delas, um dos fatores que mais causam angústia é o distanciamento da família e principalmente dos filhos.

Uma presidiária, que não quis ser identificada, já entrou na penitenciária grávida e hoje vive no local com sua filha, que tem apenas cinco meses, mas está longe dos seus outros quatro filhos.

Para ela ainda é difícil eleger o que é pior entre as duas situações. "É complicado ver minha filha passeando pela cela. Ela já está bastante esperta, engatinha e percorre todo o espaço.

Mas também não é fácil imaginar que meus outros filhos estão lá fora e toda a minha família também. Quando é dia de visita, sinto uma felicidade enorme se vem alguém me ver. Quando não vem ninguém, fico angustiada, querendo saber se está tudo bem e preciso esperar uma semana inteira para ter essa resposta", afirmou.

Se para quem está lá dentro é difícil, para a família que está aqui fora a situação também não é boa. O filho de uma ex-detenta da Penitenciária Feminina de Teresina, que pediu para ter seu nome preservado, foi à Penitenciária Feminina essa semana para aguardar a soltura de sua mãe e levá-la para casa.

Ele contou à reportagem do Jornal Meio Norte que não é fácil ter uma pessoa tão próxima atrás das grades. "Eu nunca abandonei minha mãe, sempre vinha visitá-la. Nos dias de visita eu faltava trabalho para vir vê-la. Agora ela está em liberdade e eu estou muito feliz", relatou.

Fonte: Pollyanna Carvalho