Estudante morto era orientado pela família a não reagir a assalto

Estudante morto era orientado pela família a não reagir a assalto

Mesmo seguindo o conselho, acabou baleado na cabeça anteontem.

Sempre que o estudante Victor Hugo Deppman, 19, conversava com a família sobre violência recebia um conselho de nunca reagir a um assalto. "Sua vida vale muito mais do que qualquer celular, carteira ou carro", dizia a mãe do jovem, Marisa.

Mesmo seguindo o conselho, acabou baleado na cabeça anteontem. A mãe, o pai e irmão mais velho ouviram o estampido do apartamento. Victor caiu morto em frente ao edifício onde morava.

Carregava nas costas uma mochila com seu material escolar e um uniforme do time "Inferno Vermelho". Esses objetos, segundo a família, contam muito da história do garoto assassinado.

"Inferno Vermelho" é o apelido do time de futsal da faculdade Cásper Líbero. Vitão, como era chamado, era um dos seus artilheiros.

Santista fanático, sempre que podia estava numa quadra, num campo ou no controle de um PlayStation 3 disputando um jogo de futebol.

Sua paixão pelo esporte é uma herança da família. Um avô e um tio chegaram a jogar pelo Palmeiras. O pai, também santista, é comerciante de material esportivo; a mãe é advogada.

Vitão sonhou tornar-se jogador profissional, mas desistiu na adolescência.

Passou a sonhar em ser locutor esportivo. Por isso, decidiu fazer faculdade de rádio e TV. Tinha o narrador Milton Leite como um ídolo. Dizia-se fã das brincadeiras que o narrador fazia durante as transmissões dos jogos.

Era namorado da estudante Isadora, 19, com quem pretendia fazer um cruzeiro pelo Caribe no final deste ano.

Sobrevivente de graves problemas respiratórios na infância, Victor era alérgico a frutos do mar --a avó Neuza preparava prato especial para o neto quando havia frutos do mar no cardápio.

Fonte: UOL