Ex-árbitro sobre assalto: "foi o pior momento de toda a minha vida"

Ex-árbitro sobre assalto: "foi o pior momento de toda a minha vida"

Câmeras registraram luta de Oscar Roberto Godói com assaltante.

Câmeras de segurança de um prédio da zona oeste de São Paulo registraram todos os detalhes do assalto sofrido pelo ex-árbitro Oscar Roberto Godói no dia 16 de fevereiro, quando ele levou quatro tiros. Imagens exibidas pelo Fantástico neste domingo (27) mostram o exato momento em que homem de camiseta branca e calça jeans aborda a vítima, que havia acabado de estacionar o carro na rua e seguia a pé para a casa de um amigo, onde jantaria.

?Foram os piores momentos da minha vida, porque, mesmo consciente, você sabe que está próximo da morte?, afirmou o ex-juiz de futebol. ?Eu estava caminhando com a cabeça baixa para não molhar as lentes dos óculos, aí acabei trombando nele, que falou: ?Dá a chave, que é um assalto?. Logo saiu o primeiro disparo, que atingiu o meu peito. Tentei segurar a arma dele, e a gente foi lutando até que não aguentei de dor?, lembrou.

Godói contou que, na ocasião, não reagiu ao assalto, e só teve o instinto de se defender depois de ter sido atingido pela primeira vez. Os dois, então, iniciaram uma luta corporal, já no chão, onde a vítima recebeu mais dois tiros. O assaltante se levantou e, antes de fugir, fez o último disparo. ?Nessa hora, fiquei mexendo o corpo, porque era muita dor, e pedindo para alguém chamar o socorro?, disse.

O ex-árbitro levou um tiro no peito, que perfurou o pulmão; dois de raspão, na barriga e na perna; e o último no pescoço, que permanece na região cervical, sem risco. Os gritos dele acabaram chamando a atenção dos moradores. ?Quem não viu pôde ouvir o barulho dos tiros. Aí o pessoal saiu na sacada, e alguns vieram ajudar?, descreveu.

As câmeras de segurança também registraram o momento de chegada da polícia. No carro, estavam os policiais Guilmar de Freitas e Éder Griati. ?Cheguei a colocar a luva na hora que a gente foi pegar o Godói, e o resgate veio na contramão. É uma vida que poderia ter ido e está aí, firme e forte para trabalhar?, lembrou um dos policiais.

Godói ficou dez dias internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e já retornou às atividades de comentarista esportivo. Segundo ele, seu organismo se recuperou bem, com pouca febre, nenhuma infecção e uma rápida regeneração do pulmão.

O reencontro

O ex-árbitro recordou, emocionado, de um senhor de guarda-chuva que se agachou perto dele e pediu para que ele lhe desse a mão. Mas foi uma mulher que esteve o tempo todo ao lado de Godói. ?Ela me ajudou, me confortando, dizendo para eu manter a calma?, contou.

A mulher que tentou tranquilizá-lo, passando a mão na cabeça dele, foi a auxiliar administrativa Débora Serafim. Esta semana, o Fantástico acompanhou o reencontro dos dois, onde tudo aconteceu. Eles lembraram os momentos dramáticos daquela noite de quarta-feira, e a vítima pôde agradecer o gesto e as palavras de solidariedade de Débora.

O ex-árbitro também reconheceu a importância da dupla de policiais por estar vivo. A polícia já tem a imagem do assaltante e informações sigilosas sobre ele.

Para Godói, o momento agora é de recomeço. Esta semana, ele participou de uma partida de showbol, espécie de futebol de salão. Em forma, apitou o jogo em seu melhor estilo, com o jeito briguento e esquentado que o consagrou nos campos.

?O que muda mais é não deixar para fazer amanhã o que você pode fazer hoje. Pode não haver amanhã?, completou.

Fonte: g1, www.g1.com.br