Ex-promotor acusado de matar mulher grávida pode se livrar de pena por aborto

No total, ele foi condenado a 20 anos e 4 meses pela morte a tiros da mulher

O ex-promotor Igor Ferreira da Silva, condenado por matar a mulher grávida e foragido desde 2001, pode se livrar de parte da pena, segundo a procuradora de Justiça Valderez Deusdit Abbud, responsável pela acusação, ele foi condenado a cerca de três anos de prisão pelo crime de aborto. Entretanto, o crime foi cometido há 11 anos ? e penas de até quatro anos perdem a validade em oito.

O ex-promotor foi preso na segunda-feira (19) na Zona Leste de São Paulo. No total, ele foi condenado a 20 anos e 4 meses pela morte a tiros da mulher, Patrícia Aggio Longo, em 1998, e dois anos depois por porte ilegal de armas. Ela estava grávida de sete meses. O crime aconteceu em Atibaia, a 60 km de São Paulo.

Na terça-feira (20), Igor foi transferido para o presídio de Tremembé, a 147 km de São Paulo. O ex-promotor culpa um ladrão que, segundo ele, abordou sua mulher na rua. Segundo ele, Patrícia Aggio Longo foi então sequestrada e morta. Ela levou dois tiros na cabeça. A Procuradoria, no entanto, acusou o promotor de ter matado a mulher. Um teste de DNA realizado mostrou que o bebê não era filho de Igor.

Em 2006, o Órgão Especial do TJ decretou a perda do cargo de promotor. O mandado de prisão do ex-promotor tinha validade até 17 de abril de 2021.

Versões

Questionada pelos jornalistas, Valderez negou saber do paradeiro do ex-promotor nos últimos 8 anos e disse que ?não tem a menor repercussão no cumprimento da pena? o fato de ele ter se apresentado sozinho à polícia ou não. Ao deixar a delegacia na noite de segunda-feira, Igor falou rapidamente à imprensa: ?eu me apresentei?.

Procurado para comentar o assunto, o delegado seccional Nelson Guimarães afirmou ainda na segunda que a história de que Igor se entregou foi inventada e que ele, na verdade, havia sido preso.

?A delegada colocou inicialmente ?apresentação espontânea?, mas depois corrigiu [e pôs que Igor foi preso]?, disse o seccional. ?O delegado titular fez um adendo [colocando que o ex-promotor foi preso e não apresentado] ao primeiro boletim de ocorrência.?

De acordo com Guimarães, essa mudança e adendo no boletim foi que gerou toda a confusão. Para a polícia, o ex-promotor foi preso após uma denúncia anônima. Igor foi transferido na tarde desta terça-feira (20) do 40º Distrito Policial de São Paulo, na Vila Santa Maria, para o presídio de Tremembé, a 147 km da capital paulista. Ele deixou a delegacia às 13h50.

Fonte: g1, www.g1.com.br