Investigação de chacina de pai e filhos em Diadema tem reviravolta

Investigação de chacina de pai e filhos em Diadema tem reviravolta

Contradição no depoimento de um dos suspeitos levou os investigadores a desconfiar que a quadrilha possa ter invadido a casa para roubar armas

Em 20 dias de investigação sobre a morte de um empresário e dos dois filhos, em Diadema, na Grande São Paulo, o caso teve uma reviravolta. Inicialmente, a polícia acreditava que os assassinatos tinham relação com o tráfico de drogas. Mas uma contradição no depoimento de um dos suspeitos levou os investigadores a desconfiar que a quadrilha possa ter invadido a casa para roubar armas contrabandeadas pelas vítimas. A família nega envolvimento com o crime e diz acreditar se tratar de um latrocínio.

Willian Evandson dos Santos, de 30 anos, foi preso no dia do crime. Ele tinha levado um comparsa ferido a um hospital, em Santos. Foi ele que mudou a versão sobre o que motivou o crime. De acordo com o suspeito, Flávio Vieira Soares, de 26 anos, filho do empresário Dionilson de Lima Soares, de 48, ?era agiota, emprestava dinheiro e fazia contrabando de armas?. No primeiro interrogatório, Santos afirmou que o crime tinha relação com uma dívida de quase R$ 500 mil.

O outro filho, Fábio Vieira Soares, de 23 anos, também morreu na chacina. A mulher de Dionilson, um bebê, neto dela, e a nora, noiva de Flávio, estavam na casa na hora do crime. A viúva do empresário, que não quer ter a identidade revelada, nega qualquer atividade ilícita envolvendo a família.

? Imagine, uma situação dessas, perder as pessoas que mais amo na vida e escutar tudo isso. Muita gente acha que é verdade, que não me conhece. [...] Lutei tanto para estar aqui, sozinha, injustiçada, que espero, em nome de Jesus, que a pessoa venha e mostre a verdade.

Aline Romanini, noiva de Flávio, também não acredita nas versões apresentadas até agora.

? Não tinha nada na residência. Não existe arma, droga, nada. Uma pessoa que deve para o tráfico, a pessoa sabe que iriam matá-la. E estaria dormindo com a família toda, com o filho que amava? Imagine que ele iria deixar dormir naquela noite, que sabia que iriam matá-lo.

A polícia não encontrou armas ou drogas na casa da família Soares. O delegado Sérgio Alves afirma que não tem provas do envolvimento de Flávio com a agiotagem ou contrabando de armas. Mas ele confirma que a polícia já tinha recebido 22 denúncias anônimas contra ele, todas relacionadas ao tráfico de drogas.

? Tanto que ele chegou a ser detido aqui na delegacia, mas nada foi encontrado com ele. As denúncias foram apuradas, mas nada foi encontrado com ele.

Em depoimento, Santos também afirmou que Flávio foi o autor de um homicídio, em março deste ano, em Diadema. A polícia investiga se ele realmente foi o responsável pelo assassinato e qual teria sido o motivo, se a falta de pagamento de um empréstimo, por exemplo.

O crime

Oito homens teriam participado da ação, na manhã de 25 de julho. Mais de um mês depois, três estão presos, dois estão mortos e outros três continuam foragidos. Três criminosos invadiram a casa da família por volta das 7h30. Eles haviam pulado o muro de um vizinho durante a madrugada.

A viúva contou como conseguiu escapar dos bandidos ao se esconder embaixo de um carro da família.

? Veio um cara armado com um fuzil na minha cabeça e comecei a gritar, ?filho, tem dois ladrões no quintal?. Aí [ele] veio correndo pela Fiorino, ?se você não parar de gritar, vou matar você?. Aí depois ele acabou me soltando, veio outro armado. Eu corri para baixo da Fiorino. Não sei como eu coube ali.

O homem levado por Santos ao hospital foi baleado durante a ação e morreu. Outro criminoso envolvido morreu quatro dias depois da chacina, em outro assalto. Ele morava na mesma rua das vítimas e teria sido reconhecido pelo empresário.

Após as mortes, a viúva do empresário só tem agora as duas noras e os dois netos. Ela e o marido se casaram em Pernambuco e se mudaram para São Paulo, onde tiveram os dois filhos e montaram uma empresa de entregas com motoboys.

? É muito triste, lutar sua vida inteira, dar educação... Eles eram a nossa vida, morreram os três para um defender ao outro.



Fonte: r7