Jovem é assassinado por causa de R$ 15 em Fortaleza

Não demorou muito, a Polícia Militar botou as mãos no criminoso

Uma dívida de droga no valor irrisório de R$ 15,00 foi o motivo de mais um crime de morte nas ruas de Fortaleza. As execuções sumárias de quem compra droga e não paga tornou-se um desafio para as autoridades da Segurança Pública. Ontem, a mais nova vítima dos assassinos à serviço do o tráfico foi o jovem Gustavo Queiroz da Silva, 21 anos.

Segundo apurou a Polícia, o rapaz era usuário de drogas. Havia comprado algumas pedras de crack e promoteu pagá-las. Mas, demorou a quitar a dívida e acabou sendo fuzilado na Rua Jorge Amado, bairro Curió, na Grande Messejana.

Não demorou muito, a Polícia Militar botou as mãos no criminoso. Dimas Alves de Freitas, da mesma idade da vítima, foi detido por uma patrulha da Força Tática de Apoio (FTA) da 2ªCompanhia do 5ºBPM (Messejana), composta pelos cabos Sérgio e Freitas e pelos soldados Ciro e Lima. O acusado estava escondido em uma residência na Rua Fernando Hugo, também no Curió.

A mulher de Gustavo, uma adolescente de 17 anos, ouviu o barulho dos tiros. ?O Gustavo estava devendo esse dinheiro e veio falar com a gente. Ninguém tinha os quinze reais para emprestar. Quando ele me explicou o que era, saí atrás de encontrar alguém da família dele que pudesse ajudar a pagar logo. Ouvi os tiros e percebi que estava tudo acabado?, disse. A garota teve com Gustavo dois filhos, um de três anos e outro com apenas 10 meses.

A família reconhece o vício de Gustavo. ?Nós estávamos tentando tirar ele das drogas. Até conseguimos um trabalho de servente para ele, na Lagoa Redonda. Ele estava no serviço há um mês´, contou o tio, Josenildo Queiroz da Silva.

Dimas, o acusado do crime, já é conhecido dos policiais militares que trabalham naquela área da cidade. Segundo o major Océlio Alves, comandante da 2ªCia. do 5ºBPM, Dimas já havia sido preso por assalto. Ontem, ele foi autuado, em flagrante, por homicídio, no 35º

DP (Curió), pelo delegado Adalberto Mateus da Costa. Durante seu depoimento na delegacia, não demonstrou nenhum arrependimento pelo crime que praticara horas antes.

À tarde, a mãe de Gustavo foi ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) buscar o corpo do filho. Em meio às lágrimas, ela contou ao Diário do Nordeste que mora noutro bairro, mas quando soube que o filho estava sendo ameaçado de morte por conta da dívida, decidiu sair do trabalho para ir entregar o dinheiro nas mãos do rapaz. Não houve tempo para isso. Quando chegou no Curió, o filho já havia sido assassinado.

Os fuzilamentos praticados a mando do tráfico lideram as estatísticas da violência em Fortaleza e Região Metropolitana. O fato vem sendo acompanhado - dia a dia - pela Editoria de Polícia do Diário, que tem elaborado uma estatística dos homicídios e latrocínios praticados na Capital e seus Municípios vizinhos. Somente no mês passado, nada menos, que 139 pessoas foram assassinadas na Grande Fortaleza. Ao longo do ano, já foram contabilizados 829 homicídios. O último deles a vítima foi Gustavo.

Execuções

Em alguns bairros e distritos da Grande Fortaleza, o avanço do consumo de tráfico tem também produzido um rastro de sangue. Na Pajuçara, em Maracanaú, foram 27 pessoas mortas este ano. No Conjunto São Miguel, também em Messejana, outras 25 pessoas tombaram vítimas dos tiros disparados pelos traficantes de drogas e seus matadores. A impunidade estimula o crime.

INSEGURANÇA PÚBLICA

Diário tem mostrado o avanço do tráfico

O Diário do Nordeste tem acompanhado o avanço da criminalidade na Capital e Região Metropolitana. Em seguidas reportagens - publicadas desde o ano passado - o jornal tem mostrado como o consumo de drogas pesadas, principalmente a cocaína e o crack, vem motivando as execuções sumárias.

O usuário que adquire a droga e não paga, acaba sendo eliminado. Tem sido esta a tônica dos homicídios que engrossam diariamente as estatísticas da violência armada na Grande Fortaleza. Os números não param de crescer, apesar das constantes operações que as polícias Civil e Militar vêm fazendo no combate ao crime.

Nos fins de semana os números de homicídios ligados ao tráfico aumentam e, em diversos bairros da cidade, a ´guerra´ de traficantes tem causado pânico aos moradores e deixado comunidades inteiras reféns dos assassinos pagos pelos chefes de quadrilhas e gangues.

Somente a Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc) mapeou mais de 60 pontos de vendas de drogas em Fortaleza durante a ´Operação Tentáculos I´. Na semana passada, foi iniciada a ´Tentáculos II´ e, em cinco dias, três quadrilhas foram descobertas, com um saldo de 17 pessoas presas, entre elas, sete mulheres.

Mulheres

No bairro do Lagamar, por exemplo, uma mulher comandava, ao lado do marido, a venda de drogas em sete pontos diferentes. Na Praia de Iracema, outra quadrilha - também chefiada por uma mulher - vendia cocaína, crack e maconha para cearenses e turistas nacionais e estrangeiros.

Fonte: Diário do Nordeste, www.diariodonordeste.com.br