Caso Eliza: Juíza permite retorno de advogados que adiaram julgamento de Bola, mas mantém multa

Caso Eliza: Juíza permite retorno de advogados que adiaram julgamento de Bola, mas mantém multa

Um dos advogados disse "que pode pagar a multa para ajudar o fórum que está um lixo", segundo ele.

A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues aceitou o retorno de dois advogados de Marcos Aparecidos dos Santos, o Bola, ao júri do caso Eliza Samudio. O réu é acusado do homicídio da ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes e de ocultação de cadáver. Os defensores Ércio Quaresma e Fernando Magalhães protocolaram petição com o pedido no dia 3 de dezembro. Na sexta-feira (11), a juíza autorizou a volta em despacho, mas manteve multa no valor de 30 salários mínimos para cada pelo fato de terem abandonado o julgamento em novembro do ano passado, de acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A decisão será publicada no Diário do Judiciário nesta terça-feira (15).

A multa também deve ser paga pelo advogado Zanone de Oliveira Júnior, que, segundo a Justiça mineira, não manifestou interesse em retornar ao caso. O defensor justificou motivo de agenda profissional. ?Essa causa está me tomando muito tempo e estou tendo problemas com outros clientes. Como esse júri se aproxima, requer atenção total dos advogados porque o processo já está com 16 mil páginas.?, disse. O julgamento de Bola, Bruno e Dayanne Rodrigues, ex-mulher do jogador, está previsto para 4 de março.


Juíza permite retorno de advogados que adiaram julgamento de Bola, mas mantém multa

Quanto à autuação, Júnior declarou dúvida quanto ao pagamento. "Pode ser que eu pague. Estou querendo ajudar o judiciário, porque aquele fórum está um lixo. O prédio onde funciona era o sacolão municipal de Contagem. Vou conversar com os dois [Quaresma e Magalhães], se for prejudicá-los, não vou fazer isso", disse.

De acordo com Fernando Magalhães, a juíza não poderia impedi-los de atuar no caso. ?O abandono do júri foi o abandono de um procedimento. Em momento nenhum, estivemos fora do processo. Quanto à multa, iremos recorrer e estamos sendo acautelados pela OAB em Minas e federal, que têm nos auxiliado no recurso?, afirmou. O advogado explicou que o recurso já está preparado e que deve ser impetrado, ainda sem data.

?Nós fizemos o que nunca deixamos de fazer: atuar na defesa do Bola. Nós jamais abandonamos a causa e sim um ato processual?, disse o advogado Ércio Quaresma. Segundo ele, a saída da sessão do júri em novembro não representava o abandono do caso. Em relação à multa, a intenção é recorrer. ?Nós vamos recorrer, quando for determinada a execução, vamos tomar as medidas que nos couber", afirmou. O advogado comentou a saída de Zanone. ?Foi uma opção dele, mas entendemos. O Marcos aceitou tranquilamente e continua depositando confiança em mim e no Fernando?, disse.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que, no entendimento da Justiça, os advogados retornaram à defesa de Bola porque, em novembro, eles haviam deixado o réu sem representação quando abandonaram a sessão do júri no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em 23 de novembro, o júri popular do caso Eliza Samudio condenou os réus Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro Bruno, pelo envolvimento na morte ex-amante do jogador, em crime ocorrido em 2010. Conforme sentença da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, Macarrão foi considerado culpado pelos crimes de homicídio e sequestro e cárcere privado. Fernanda foi condenada por sequestro e cárcere privado.

O júri popular, que teve início com cinco réus, acabou com apenas dois acusados: Macarrão e Fernanda. O jogador Bruno Fernandes de Souza, que era titular do Flamengo, é acusado de ter arquitetado a morte da ex-amante, em 2010, para não ter de reconhecer o filho que teve com Eliza nem pagar pensão alimentícia. Bruno, a sua ex-mulher Dayanne Rodrigues e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, tiveram o júri desmembrado pela juíza Marixa.

Fonte: G1