Mãe de Isabella chorou ao ler livro sobre a filha

Ana Carolina e sua advogada obtiveram na Justiça uma liminar favorável pelo recolhimento

A mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, chorou muito ao ler as 128 páginas do livro não autorizado sobre sua filha. A informação foi dada nesta segunda-feira (5) por sua advogada, Cristina Christo.

Na semana passada, Ana Carolina e sua advogada obtiveram na Justiça uma liminar favorável pelo recolhimento dos exemplares do livro ?Isabella?, do escritor Paulo Papandreu. As duas haviam entrado com uma ação indenizatória por danos morais contra a publicação.

Procurado, Papandreu disse no domingo (4) que pretende recorrer da decisão. Por enquanto, o livro que trata da morte da menina Isabella Nardoni como um acidente doméstico não pode mais ser vendido, sob a pena de multa. O valor não foi divulgado.

Em março de 2008, a menina, então com 5 anos, morreu após cair do 6º andar do prédio onde o pai morava, na Zona Norte de São Paulo. Para a polícia e o Ministério Público, ela foi jogada da janela pelo pai, Alexandre Nardoni, e pela madrasta, Anna Carolina Jatobá. O casal está preso acusado do crime. Ambos alegam inocência. No livro, Papandreu sugere que Isabella caiu sozinha, o que inocenta os Nardoni.

?Infelizmente, a Ana [Carolina Oliveira] teve de ler o livro que esse escritor fez sobre a morte da filha dela. Ela precisava saber o que ele estava sugerindo. Sei que a Ana chorou muito de tristeza ao ler esse livro?, disse Cristina nesta segunda-feira. De acordo com a advogada, a liminar contra o livro saiu na quinta-feira (1). ?Estou vendo isso de uma maneira positiva?, disse Ana Carolina, na tarde de domingo.

Repúdio

Leia abaixo, a íntegra da nota de repúdio ao livro que a mãe de Isabella escreveu no último dia 30:

"Fico indignada com a maneira como a memória da minha filha está sendo agredida com insinuações de que possa ter havido um acidente doméstico. Todos têm direito à defesa, mas utilizar a memória da minha filha Isabella, alegando que ela possa ter causado o acidente que culminou com a sua morte, é tripudiar na minha dor, de meus familiares e toda uma população que vem acompanhando e sofrendo conosco. Uma atitude e uma ideia como essa só pode vir de alguém que não teve a oportunidade e o prazer de conviver com a menina doce e amável que foi a minha filha. Quem a conheceu sabe que esse tipo de atitude não era do seu perfil, além de acreditar que esse tipo de ideia é subestimar a inteligência de todos. Se não há o que ser dito, peço que respeitem a memória de uma criança de apenas 5 anos de idade que morre de forma tão cruel e a dor dos que ficaram."

Indenização

Indenização não definida

De acordo com a advogada Cristina Christo, o valor da indenização pela ação por danos contra o livro só será estipulada pelo juiz Edmundo Lellis Filho na sentença, que só deverá ocorrer em 2010. Ela nega ter sugerido algum valor.

?Pelos trâmites normais, o escritor e a editora que o imprimiu terão de ser comunicados oficialmente da decisão e apresentarem defesa em 15 dias. Depois, eu terei mais dez dias para responder. Aí, eles terão de vir a São Paulo para uma audiência. A sentença final do juiz só sairá no próximo ano. Aí, ele vai definir um valor para indenização?, disse a advogada.

Ana Carolina também havia dito no domingo que o valor da reparação ainda não foi estipulado. ?O processo começou agora?.

Alguns veículos de comunicação chegaram a divulgar que o valor da indenização seria de R$ 500 mil. O G1 apurou, no entanto, que não há valor de indenização sugerido pela defesa. O que há na ação é o valor do processo, para cobrir honorários etc, que é de cerca de R$ 200 mil.

Recurso

Procurado no domingo para comentar a decisão da Justiça de recolher seu livro, Papandreu informou que pretende recorrer. "Acho que estão ferindo meu direito de liberdade de expressão. Vou recorrer, claro", disse ele, neste domingo. O médico de Santa Maria (RS) afirmou ter recebido com "surpresa" a notícia. "Fiquei sabendo no sábado. Quero ver o que vão fazer com os livros agora. Não consigo imaginar por que fizeram isso. Estou incrédulo porque não caluniei, não menti e não injuriei".

Segundo ele, em São Paulo, havia 3 mil exemplares de "Isabella". Papandreu ressaltou que, até a tarde do domingo, não havia sido informado oficialmente sobre a sentença do juiz. "Eu soube por uma conhecida que pegaria os livros em um hotel de São Paulo para doação. Disseram a ela que a Justiça mandou recolher".

Publicado em junho deste ano no Rio Grande do Sul, ?Isabella? poderia ganhar também uma versão nacional com o título ?Caso Isabella: verdade nova?, conforme disse Papandreu no dia 15.

Fonte: g1, www.g1.com.br