Menor nega ter sofrido abuso sexual de funcionário do Flamengo

O menino chegou à delegacia acompanhado da família e de um advogado

O menor que segundo uma testemunha teria sido molestado por um alto funcionário do Clube de Regatas do Flamengo negou nesta quarta-feira (24) que tenha sofrido abuso sexual. As informações são do delegado Luiz Henrique Marques, da Delegacia de Crianças e Adolescentes Vítimas (DCAV).

O menino chegou à delegacia acompanhado da família e de um advogado. Em seguida, ele foi ouvido por psicólogos do Programa de Apoio à Criança e ao Adolescente, da Câmara de Vereadores do Rio. De acordo com o delegado Luiz Henrique, a mãe do jovem apresentou um documento comprovando a idade do menino: 15 anos.

O delegado ressaltou que conforme as novas normas do Direito Penal, o crime de estupro de vulnerável só é aplicado para abusos sexuais de menores de 14 anos.

"Mesmo que depois se confirme que esse adolescente tenha se envolvido sexualmente com o diretor, o autor não sofrerá a pena de estupro de vulnerável. Vamos investigar e apurar rigorosamente se esse diretor praticou outros crimes. Caso ele tenha praticado outros delitos, certamente ele será punido", explicou o delegado Luiz Henrique Marques.

Ainda segundo a polícia, a mulher que denunciou o caso, no entanto, confirmou que o menino é o mesmo que ela viu sofrendo o suposto abuso. O delegado informou que vai aguardar o resultado do laudo psicológico do adolescente, que deve sair em torno de 15 dias.

Somente após o resultado do laudo a polícia vai decidir os rumos da investigação. O procurador-geral de Justiça do Estado do Rio, Cláudio Lopes, o senador Magno Malta e a promotora do caso, Ana Lúcia Melo, também acompanharam o depoimento do adolescente.

CPI quer ouvir funcionário do Fla

O presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES), informou que vai convocar para prestar esclarecimentos o alto funcionário do Clube de Regatas do Flamengo suspeito de pedofilia. O requerimento para ouvi-lo será apresentado ainda esta semana na comissão parlamentar de inquérito do Congresso Nacional, em Brasília.

A denúncia contra ele foi feita no dia 3 de fevereiro por uma associada. Ela teria, supostamente, presenciado a cena de pedofilia na Gávea, perto da sede do clube, na Zona Sul da cidade.

Segundo Magno Malta, a mulher teria fotos dos supostos abusos. O material está sendo analisado por investigadores da polícia fluminense.

As investigações sobre o suspeito mostraram que ele já respondeu a outra acusação de pedofilia, num processo aberto em 1988 e arquivado em 2000. Malta antecipou que será pedido o desarquivamento do caso.

?Não ia ficar calada?, diz mulher que denunciou suposto abuso

A mulher que denunciou o suposto abuso é sócia do clube há cerca de 50 anos e já teria sido também funcionária do Flamengo. Em entrevista ao G1, ela disse que decidiu denunciar o alto funcionário por acreditar na ?seriedade da presidente Patrícia Amorim?.

?Esses atos libidinosos dele com meninos dentro do clube já são conhecidos há muito tempo. Mas sempre abafaram. Acontece que desta vez eu vi. Não ia ficar calada. E, agora, vou até o fim?, disse a testemunha, que prestou depoimento na polícia e encaminhou a denúncia à Comissão de dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara dos Vereadores.

Funcionário foi afastado preventivamente

Diante da denúncia, a presidente do Flamengo, Patricia Amorim, depois de se reunir com o conselho do clube, decidiu afastar preventivamente o funcionário suspeito.

O clube também nomeou uma comissão - formada pelos desembargadores Siro Darlan e Marcelo Antero, o juiz do Trabalho José Saba, o advogado criminal Carlos Eduardo Machado e o juiz federal Theophilo Miguel - para recomendar à presidente do clube as medidas a serem adotadas no caso.

Fonte: g1, www.g1.com.br