Ministério Público apura se havia sangue de 3ª pessoa na morte de Marcos Matsunaga

Ministério Público apura se havia sangue de 3ª pessoa na morte de Marcos Matsunaga

O diretor da Yoki foi morto com um tiro e esquartejado em 19 de maio, na Zona Oeste da capital paulista

O Ministério Público de São Paulo informou nesta terça-feira (4) que fará uma série de perguntas nesta semana aos peritos da Polícia Técnico-Científica para que eles possam esclarecer algumas dúvidas a respeito do resultado do laudo do DNA sobre o processo que apura o assassinato do empresário Marcos Kitano Matsunaga. Para a Promotoria, a principal questão a ser respondida é saber se o exame indicou a presença de sangue diferente da vítima e da assassina, a bacharel em direito Elize Araújo Matsunaga, na cena do crime.

O diretor da Yoki foi morto com um tiro e esquartejado em 19 de maio, na Zona Oeste da capital paulista. Elize, viúva da vítima, é ré confessa e está presa aguardando a Justiça decidir se ela irá a júri popular por assassinato e ocultação de cadáver. Ela sempre alegou que agiu sozinha. O crime teria sido motivado pela descoberta da infidelidade e traição de Marcos. Para a acusação, a bacharel também queria ficar com um seguro de vida da vítima. A defesa de Elize alega que ela só atirou após ter sido agredida pelo marido.

Neste sábado (1º), o promotor José Carlos Cosenzo, responsável por denunciar a viúva à Justiça, havia dito que o documento do Núcleo de Biologia e Bioquímica do Instituto de Criminalística (IC) informava que foi encontrado material genético masculino e feminino que não é o do casal.

Dúvidas

Caso a perícia confirme a informação acima, de que foi achado sangue de outra pessoa no apartamento do casal, Cosenzo afirmou que pedirá para a Polícia Civil instaurar um novo inquérito para investigar a suspeita da participação de mais alguém na morte e esquartejamento do corpo de Marcos. Ele cogita até mesmo a possibilidade de vir a requisitar que as babás e o marido de uma delas forneça uma amostra de sangue para comparar com o colhido pelos peritos na residência dos Matsunaga, na Zona Oeste.

?É preciso saber se esse sangue é de outra pessoa que estava no local, se é antigo ou recente, saber se essa amostra é anterior a data do crime. Se for anterior, não vale de nada no processo. Agora se for durante ou depois do crime, é relevante?, afirmou o promotor. ?Quero que a perícia esclareça também sobre a possibilidade de comparar o sangue achado no imóvel do casal com amostras de outras pessoas.?

De acordo com Cosenzo, o laudo sobre o DNA nas amostras de sangue coletadas no apartamento dos Matsunaga não descarta a presença de outra pessoa no imóvel.

?Apesar de ser uma prova nova e importante, ela não é fundamental para o caso porque se tivesse mais alguém ali não mudaria o fato de Elize ter matado Marcos. Mas é relevante para tentar saber se ela teve ajuda de mais alguém. Nunca excluí a presença de outra ou outras pessoas após o crime. Tenho dados técnicos de peritos da eventual presença de outra pessoa. No laudo da morte é descrito que os cortes podem ter sido feitos por duas pessoas, uma com conhecimento em anatomia e outra não?, disse o promotor.

DNA

No documento assinado pela perita Roberta Casemiro da Rocha Hirschfeld, ela escreve que em um dos cotonetes com as amostras coletas no apartamento há ?um perfil genético compatível com uma mistura de material genético de no mínimo dois indivíduos, sendo ao menos 1 deles do sexo masculino?.

A perita completa que ?nestes perfis, não foi observado relação de verossimilhança dos alelos neles presentes e os alelos presentes no perfil genético obtido do sangue da vítima Marcos Kitano Matsunaga, estando este excluído como possível gerador destas amostras.?

DHPP

O diretor do DHPP, Jorge Carrasco, havia dito na segunda-feira (3) que também pedirá esclarecimentos aos peritos sobre o DNA encontrado na residência do casal. Enquanto isso não ocorre, ele entende que a bacharel continua sendo a única suspeita do crime e agiu sozinha, baseando-se na investigação e laudos periciais, inclusive o da reconstituição do crime.

?A polícia entende que ela agiu sem nenhuma ajuda. As próprias imagens do circuito interno de câmeras de segurança do prédio mostram somente ela saindo com as malas onde estavam os pedaços do corpo da vítima. Por enquanto não há elementos que apontem a participação de outra pessoa?, tinha falado o diretor.

Pedido de sigilo

Os advogados da família de Marcos entraram com um pedido na Justiça para que seja decretado sigilo no processo. A alegação se baseia no fato de que fotos da autópsia do corpo da vítima vazaram na internet, causando constrangimento aos parentes.

Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ)-SP o pedido de segredo foi feito na segunda-feira (3), mas ainda não há nenhuma decisão a respeito.

Fonte: G1