Missa para mortos em assalto em Aracoiaba no Ceará

Mortos em assalto são homenageados em Aracoiaba/CE

16/02/2008 - 13:32

O pranto de Leuma parecia não ter fim. Emocionava a todos que a viam chegar pertinho do painel com a fotografia do marido e relembrar momentos dos anos que viveram juntos. "Olha ali, foi quando ele chegou de viagem e eu fui esperar no aeroporto", mostrava as cópias de fotografias afixadas na parede. Há uma semana, essa jovem de 30 anos não come nem dorme direito. Tinha planos de ter o primeiro filho com Júlio Gibran, 33, seu marido há sete anos.

A primeira gravidez e outros planos do casal foram interrompidos na última sexta-feira, quando o soldado Gibran, da Polícia Militar, foi morto numa troca de tiros com assaltantes da agência do Bradesco no centro de Aracoiaba, a 73 quilômetros de Fortaleza. "Eles eram muito próximos e um se preocupava demais com o outro, por isso ela está inconformado e nós tememos que caia em depressão", dizia Aurileda Freitas, irmã de Leuma que a amparou durante toda a missa de 7º dia (na verdade 8º) rezada ontem pelos seis mortos no tiroteio da tarde do último dia 8, no Centro da cidade, que fica na região do Maciço de Baturité.

O soldado da Polícia Militar Júlio Gibran Pereira, o cabo José Tadeu Guimarães, o subtenente Vagner Timóteo, o mototaxista Francisco Matos de Souza, o vendedor de peixes Manoel Edmilson Elias dos Santos e um dos assaltantes foram as vítimas do tiroteio durante o assalto. Ontem, os moradores de Aracoiaba, uma cidade de 25 mil habitantes, na maioria comerciantes e agricultores, parou para homenagear os mortos. Após um ato com a participação dos familiares, policiais e amigos em frente à sede da agência do Bradesco, onde ocorreu o assalto, houve uma concelebração eucarística no Ginásio Poliesportivo Raimundo de Castro.

A quadra do ginásio ficou lotada para assistir à missa presidida pelo pároco da cidade, padre Josileudo Queiroz Façanha com a participação também dos padres Maurício Lopes, vigário de Aratuba, e Robério Queiroz, vigário episcopal do Maciço de Baturité e representante do arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio Aparecido Tosi Marques. Até as escolas liberaram os alunos para assistir à celebração. Na homilia, o padre Josileudo Queiroz falou do "triste acontecimento em Aracoiaba". "Mas devemos levantar a bandeira contra toda e qualquer violência", disse.

O pároco disse ainda que a cidade é morada de um povo simples, religioso, trabalhador. "Porém as trevas estão aí: a violência, os crimes, as drogas, ódio, bebidas, raiva e vingança. Aracoiaba deve evitar tudo isso com as armas de Deus para dizer: "Sou aracoiabense". O pároco foi aplaudido pelos que lotavam as arquibancadas e cadeiras do ginásio e, durante o ofertório da missa, foi a vez de receberem aplausos, os familiares das vítimas que levaram painéis até o altar e os policiais militares que conduziram as bandeiras do Brasil, do Ceará e do município de Aracoiaba.

FONTE: O Povo
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