Aluna humilhada em universidade de SP "desaparece"

Em 22 de outubro, Geysi provocou alvoroço ao aparecer na faculdade com um vestido rosa curto.

Já prevendo que a volta da aluna de turismo Geysi Arruda à Uniban após toda a polêmica por causa de um minivestido em que ela esteve envolvida ia causar ainda mais confusão, a equipe de advogados dela resolveu "esconder" a jovem e não permitir que ela fosse à faculdade, em São Bernardo do Campo, no ABC, na noite de terça-feira (3).

Em 22 de outubro, Geysi provocou alvoroço ao aparecer na faculdade com um vestido rosa curto. Ela acabou sendo hostilizada por colegas no campus do ABC e teve de ser escoltada pela Polícia Militar até sua casa, em Diadema. O incidente foi gravado e colocado na internet.

Com narizes de palhaços, alunos aproveitaram a presença da imprensa no local nesta terça para fazer um protesto e reclamar que a faculdade e, principalmente, o curso de turismo ficaram "mal vistos" após a confusão.

Os advogados de Geysi a colocaram em um lugar não divulgado e pediram a ela que não ligasse mais o celular. O próprio pai dela, em entrevista ao G1, diz não ter sido informado de onde a filha está. Ela não voltará para casa tão cedo, pois o endereço já é conhecido. Apesar disso, segundo o advogado Nehemias Domingos de Melo, ela tentará voltar ao "eixo normal de sua vida".

Ela não dará mais entrevistas, diz, e tentará se expor o mínimo possível.

A partir de agora, tudo será mantido em segredo. A data em que ela irá depor na sindicância aberta pela universidade para apurar a responsabilidade do tumulto já está marcada. Mas não será revelada.

O dia em que ela irá retonar à faculdade é um mistério ainda maior. De acordo com Melo, isso só acontecerá quando não houver mais "assédio".

Ele confirma que a orientação de não ir à aula foi dada exclusivamente pela equipe de advogados, constituída oficialmente nesta terça, apesar do desejo inicial da jovem. "Isso só ia contribuir para piorar as coisas."

Segundo ele, as faltas serão "abonadas", pois há uma justificativa plausível para ela não comparecer às aulas. "Além disso, quando ela voltar, terá de haver a garantia de que ela não sofrerá discriminação dos professores e dos funcionários."

Sobre uma eventual ação por danos morais contra a universidade ou contra algum aluno, Melo desconversa. Diz que "não é o momento" de pensar nisso, mas não descarta tomar a atitude no futuro.

O assessor jurídico da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, diz não ver culpa da universidade no episódio. "A gente não acha que seja esse o caso. Agora, se a aluna entrar com a ação, os advogados da universidade irão se reunir para avaliar a defesa da instituição."

Fonte: g1, www.g1.com.br