Outros 15 PMs da UPP Rocinha são denunciados pela morte de Amarildo

Dos novos denunciados, três devem ter a prisão preventiva pedida hoje à Justiça.

Outros 15 policiais militares da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Rocinha, localizada em São Conrado, zona sul do Rio, foram denunciados por envolvimento na morte do ajudante de pedreiro Amarildo Souza, 47, em julho, segundo anunciou o Ministério Público do Estado nesta terça-feira. No total, 25 PMs são suspeitos de participar do crime até agora.

Dez estão presos. Entre eles o major Edson Santos - ex-comandante da UPP apontado pela promotoria como mandante da tortura que resultou na morte de Amarildo. Dos novos denunciados, três devem ter a prisão preventiva pedida hoje à Justiça.

Um deles, sargento Reinaldo Gonçalves dos Santos, teria sido identificado através de novas provas testemunhais como um dos quatro que participaram das agressões diretas à vítima. Os outros três são o tenente Luiz Felipe de Medeiros e os soldados Anderson Maia e Douglas Roberto Vital Machado, que já estão detidos.

Os outros dois que devem ter o pedido de prisão encaminhado hoje à Justiça são o sargento Lourival Moreira e o soldado Vagner Soares do Nascimento. Investigação mostra que eles faziam a segurança do espaço na hora do crime.

De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, cinco PMs prestaram depoimentos reveladores sobre o caso. Desses cinco, quatro são mulheres e apenas uma delas foi denunciada pelo crime de tortura porque também vigiava o local no momento do crime.

"Conforme depoimentos colhidos, a tortura se deu atrás do conteiner da UPP Rocinha. Ela acontecia num pequeno depósito, que faz limite com a mata. Era asfixia com saco na cabeça, choque por teaser, afogamento num balde com água", disse a promotora de Justiça do Gaeco Carmen Eliza Bastos de Carvalho, em coletiva de imprensa na sede do Ministério Público.

Os PMs foram denunciados pelos crimes de tortura, sendo oito deles por omissão de não terem evitado o resultado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Quatro deles ainda terão que responder por fraude processual. Se condenados, eles podem pegar de nove a 33 anos de prisão.

FALSO CATATAU

Entre os PMs que terão que responder por fraude processual está Marlon Campos Reis, que fingiu ser o traficante Catatau ao telefonar para um PM infiltrado sabendo que a conversa estava sendo grampeada. Uma perícia de voz feita pelo Gaeco, no entanto, comprova que a voz é do policial.

"Marlon assume a morte de Amarildo fingindo ser Catatau na conversa por saber que seria ouvido na interceptação telefônica para colocar a culpa no tráfico. Também confirmamos pelas antenas dos celulares pessoais que o soldado Vital estava junto com Marlon, no mesmo local, no momento da ligação", afirmou a promotora.

Fonte: Folha de São Paulo