Pai de adolescente que matou PM: prefiro ver filho preso que morto"

Pai de adolescente que matou PM: prefiro ver filho preso que morto"

Pais denunciaram à polícia local onde filho poderia ser encontrado.

"Prefiro ver meu filho preso, do que sendo enterrado", disse Antônio Fernando, pai de Rafael da Silva de Barros, de 18 anos, suspeito de matar o soldado da PM Diego Bruno Barbosa Henriques, na última quinta-feira (13), na Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio. A declaração foi dada pelo pintor na manhã desta segunda-feira (17), na porta da 14ª DP (Leblon), para onde o filho foi levado após ser preso.

De acordo com Antônio, que estava acompanhado da mãe de Rafael, a dona de casa Sirlene Maria da Silva, ele denunciou o filho à polícia por medo dele ser encontrado por policiais e morrer durante uma troca de tiros.

"Quando vi foto do meu filho divulgada na imprensa, fiquei com medo dele ser reconhecido por policiais na Rocinha. E, durante uma troca de tiros, eu realmente não sei o que eles podiam fazer com o meu filho. Por isso, resolvi denunciá-lo?, disse o pintor, de 40 anos.

O pai de Rafael disse ainda que apesar de não ter muito contato com o filho por ter uma outra família, acredita na inocência dele. ?Ele sempre foi um menino muito tranquilo, tenho que acreditar na inocência dele. Agora é com a Justiça", afirmou.


Pai de jovem que matou PM diz que prefere ver filho

Pais de Rafael procuraram a polícia para denunciar a localização do filho (Foto: Renata Soares/G1)

Rafael foi preso por volta das 6h20 desta segunda. Ele estava dormindo debaixo de um viaduto em Botafogo, também na Zona Sul da cidade, e não apresentou resistência. Segundo a delegada Flávia Monteiro, responsável pela prisão, o suspeito não estava armado nem com drogas.

A princípio, ele tinha negado que tivesse cometido o crime, mas, durante sua apresentação à imprensa, ele confessou que matou o PM e disse estar arrependido. O jovem foi indicado por homicídio e pode pegar de seis até 15 anos de prisão, informou a delegada.

A mãe de Rafael disse que apesar da tristeza, está muito aliviada com a prisão do filho. ?Eu tô aliviada sim. Mas não tranquila. É uma tristeza muito grande ver seu filho sendo preso?, contou a dona de casa, de 37 anos, que acrescentou ainda que, apesar do filho morar com ela, ela já não o via há cerca de 2 meses: "Eu tenho outros filhos, mas sempre me preocupei com todos. Mas Rafael já tinha o canto dele", completou.

Ainda segundo a delegada, Rafael já havia sido preso por ela há cerca de cinco meses, pelo crime de tráfico de drogas e este foi o motivo que fez o pai denunciar o filho no dia do plantão dela na manhã desta segunda.

?Quando eu prendi Rafael, eu tive um contato maior com o pai dele e, mediante a isso, o pai teve confiança em mim e no meu trabalho. Por isso que ele veio aqui hoje às 6h da manhã para denunciar o filho. Às 6h20 nós já estávamos efetuando a prisão?, explicou a delegada, que disse que foi ao local onde estava Rafael com Antônio - pai do suspeito e mais dois inspetores da Polícia Civil.

A delegada disse também que acredita no trabalho da Divisão de Homicídios (DH) para prender o outro suspeito do crime, identificado como Ronaldo Azevedo da Cunha, de 24 anos. "O Rafael ainda não deu pistas de onde está o Ronaldo, mas eu acredito que ele também esteja em logradouros públicos?, concluiu a delegada-adjunta da 14ª DP, Flávia Monteiro.


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Rafael da Silva de Barros, de 18 anos, e Ronaldo Azevedo Oliveira da Cunha, de 24

Mãe fez apelo para que filho se entregasse

No sábado (15), a mãe de Rafael tinha pedido para o filho se apresentar à polícia. "Se entrega. Liga para mim, eu vou junto contigo. Não vou te deixar sozinho?, disse Sirlene.

O delegado da DH, Rivaldo Barbosa disse não ter dúvidas de que os dois foram os autores do disparo que matou o soldado. O menor detido na sexta-feira (14), segundo o delegado, não tinha qualquer envolvimento com o crime e estaria no local para comprar drogas.

Fonte: G1