Para receber propina, policiais ameaçavam cancelar baile funk

O traficante diz: “nunca vi alguém que ama tanto o metal”.

Rio - Através do monitoramento dos telefones, a polícia ouviu ?negócios? feitos este ano entre PMs e traficantes presos na Operação Purificação, nesta terça-feira. Em um deles, os policiais ameaçaram cancelar um baile funk na Favela Vai Quem Quer, em Nova Campina.

Divididos em bondes ? mas como se fossem facções amigas ?, os agentes mostram que lotearam os bairros de Caxias. Combinam, inclusive, dividir a rota para recolher propinas.


Para receber propina, policiais ameaçavam cancelar baile funk

A investigação mostra o sargento Sérgio Fernandes Odilon negociando, em junho, com traficante depósito de R$ 1,9 mil em sua conta bancária. Ele pede ao bandido para conhecer a sua casa, uma cobertura. O traficante diz: ?nunca vi alguém que ama tanto o metal?.

No mesmo mês ? de férias ? o policial liga para o amigo, o sargento André Antônio Lopes , o King Kong, para saber se têm direito a uma parte na propina. É informado, então, que vai receber R$ 600 e passa o número da conta bancária.

Outras escutas revelam as extorsões praticadas. Numa delas, o grupo sequestra três pessoas e exige R$ 200 mil. Os bandidos oferecem R$ 7 mil e o policial diz que o superior não aceitou a proposta. Os detidos vão para a 62ª (Imbariê).

Em quatro momentos das escutas, os policiais atribuem aos estrelas ? como são conhecidos os oficiais ? ordens para aumentar o valor das propinas.

Numa delas, um policial militar não identificado manda o traficante Willian Moreira da Silva, o Pit, cancelar o baile funk na favela Vai Quem Quer, em Nova Campina. E diz que a ordem é do ?estrela abaixo do Dono?, numa alusão ao subcomandante do 15º BPM.

Uma hora depois, o policial retorna ao criminoso e diz que ?suou e resolveu?, mas ? tem que vir R$ 3 mil do arrego e R$ 2 mil do baile. Em outro trecho, um PM avisa ao traficante que, como não houve propina, lotou a favela de ?formigas? (policiais) e avisa que o ?estrela? quer R$ 200 mil.

O traficante Léo Centenário diz que não tem como pagar. Em outro momento, o sargento Odimar Mendes dos Santos diz para um traficante que o ?estrela? mandou perguntar se o negócio (propina) está certo.

Como houve operação, o bandido se nega a dar os R$ 400 pedidos. Nesta terça-feira, mulheres de policiais presos choraram próximo ao ônibus em que eles estavam.

Fonte: O Dia Online