PMs ignoraram atropelamento de Rafael, diz carona

PMs ignoraram atropelamento de Rafael, diz carona

André foi uma das quatro testemunhas ouvidas pela juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros

André Liberal Alves de Almeida, que estava no banco do carona do carro que atropelou o músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, no dia 20 de julho, no Túnel Acústico, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, disse, nesta terça-feira, que os policiais militares Marcelo José Leal Martins e Marcelo de Souza Bigon, acusados de terem cobrado R$ 10 mil de propina para liberar o motorista Rafael Bussamra, que teriam ignorado a informação dada por Rafael de que ele teria atropelado uma pessoa.

A testemunha também afirmou que, mesmo com o carro amassado no capô e com o vidro trincado no lado do motorista, os PMs teriam ordenado que ele os seguisse até a delegacia.

André foi uma das quatro testemunhas ouvidas pela juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros durante audiência realizada na auditoria da Justiça Militar do Rio. Na sessão, que durou cerca de duas horas, também prestaram depoimento o mecânico Walter Antônio da Fonseca Filho, dono da oficina para onde o pai de Rafael, Roberto Bussamra, levou o carro para consertar, e dois policiais militares que teriam participado da ocorrência, após o atropelamento do músico.

Segundo André, logo após o atropelamento, Rafael parou o carro e voltou sozinho ao local onde a vítima estava. Antes, no entanto, André teria dito para Rafael Bussamra ligar para a polícia e para o Corpo de Bombeiros, para que uma ambulância fosse chamada.

Um morador de rua chegou ao local do atropelamento sugeriu que Rafael Mascarenhas fosse levado para um hospital, mas André disse que seu amigo já havia chamado uma ambulância.

Quando retornou, Rafael foi revistado pelos PMs Marcelo José Leal Martins e Marcelo de Souza Bigon. Segundo a testemunha, os PMs, mesmo sendo informados do atropelamento, apenas checaram se eles haviam consumido bebida alcoólica ou drogas.

No caminho para a delegacia, os policiais pararam no posto de gasolina do Jockey e mandaram Rafael e André entrarem na viatura policial. De lá, seguiram para uma rua deserta, onde Rafael ficou conversando com os policiais até a chegada do seu pai, Roberto Bussamra.

Durate depoimento, o mecânico Walter Antônio da Fonseca Filho disse que foi procurado pelo pai e irmão de Rafael Bussamra, respectivamente, Roberto e Guilherme Bussamra, na manhã do dia 20 de julho. Segundo ele, Roberto pediu que ele fizesse um orçamento no carro, pois seu filho havia se envolvido em um acidente. Em seguida, o pai de Rafael teria saído para comprar as peças do carro.

Irmão não comparece

Também arrolado como testemunha pela defesa dos policiais, Guilherme Bussamra, não compareceu para prestar depoimento. Segundo os autos, ele estaria morando em São Paulo e, por isso, não foi intimado no endereço indicado no processo.

O advogado dos PMs disse que a ausência do irmão de Rafael Bussamra prejudicou o andamento do processo. "Vou entrar com pedido de habeas-corpus ainda esta semana. O fato de Guilherme não ter vindo é prejudicial e isso vai nos ajudar. Queremos ouvi-lo", disse Claudenor de Brito Prazeres. Os policiais são acusados de corrupção passiva, falsidade ideológica e de descumprimento de missão.

Como a defesa não abriu mão do seu depoimento, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros determinou que os advogados dos PMs apresentem, em cinco dias, o novo endereço de Guilherme. Se localizado em São Paulo, uma carta precatória será enviada ao TJ daquele Estado, para que ele preste depoimento lá.

O caso

O filho mais novo da atriz Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas, foi atropelado e morreu, no dia 20 de julho, no Túnel Acústico, na Gávea, quando andava de skate com mais dois amigos. Na ocasião, o túnel estava fechado para manutenção e os amigos aproveitaram para praticar o esporte. Rafael Bussamra, que atropelou o jovem, foi abordado por PMs que pediram propina para não levar o caso adiante.

O atropelador foi denunciado no início deste mês, pelo Ministério Público por cinco crimes: homicídio doloso (com intenção), corrupção ativa, fuga, pega e alteração de prova. Somadas as penas, ele pode ser condenado a 36 anos de prisão. Caso a Justiça aceite a denúncia da promotora Marisa Paiva, da 15ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), Rafael pode responder pelos crimes no Tribunal do Júri.

Fonte: Terra, www.terra.com.br