Polícia indicia suspeitos por crime de homofobia e rechaça irmandade

O post criado por um fake denominado 'Van Pelf', usava uma montagem agressiva, logo sendo replicada por outros usuários que destilavam ofensas e palavras vexatórias.

Cinco meses atrás a militante do grupo Matizes (atuante na defesa dos homossexuais) Marinalva Santana via uma mensagem preconceituosa se propagar nas redes sociais; temerosa com o conteúdo que exacerbava frases de impacto e ameaça, sentiu sua tranquilidade ruir e o peso da insegurança pesar sob seus ombros. O post criado por um fake denominado 'Van Pelf', usava uma montagem agressiva, logo sendo replicada por outros usuários que destilavam ofensas e palavras vexatórias.

Nesta terça (05), a história que dominou os noticiários e se consagrou como uma bandeira de luta no combate aos crimes virtuais, finalmente teve uma resposta com o delegado Sebastião Escórcio, titular da Delegacia Especializada de Repressão às Condutas Discriminatórias, apontando dois indiciados: Lucas Veríssimo e outro jovem de iniciais L.B.N.N., que segundo as investigações compartilharam a montagem aviltante. Contudo, um mistério ainda ficou no ar, o endereço IP de 'Van Pelf' foi encontrado, viria do computador do empresário Victor Cortez, porém sua autoria não pode ser confirmada devido a implicações que surgiram no decorrer do processo de apuração. “Localizamos através do print e solicitamos um mandato de busca e apreensão na casa do indivíduo, que é proprietário da máquina, levamos até mesmo os celulares para a perícia, mas não encontramos nenhum sinal, nada. Logo, ele também revelou que compartilhava a senha da internet wi-fi com os vizinhos e aí o trabalho se complicou”, revela Escórcio. Com o parêntese na elucidação, a sensação de desapontamento dominou a vítima, que esperava pela resolução total do caso degradante. “Infelizmente não estou satisfeita, foram cinco meses aguardando e não foi solucionado. O sentimento é de indignação”, desabafa Santana. Apesar da decepção dos grupos de defesa dos direitos LGBT, o delegado constata que o possível está sendo feito e as investigações irão continuar. “Ainda estamos colhendo informações para especificar o responsável pelo IP”, impõe.

Irmandade Homofóbica

Em relação a existência de uma 'Irmandade Homofóbica', o delegado rechaça a possibilidade, apontando para casos isolados. “Ficamos atentos, pois poderia ser um embrião ou um crime organizado, mas esse termo é mundialmente usado e os envolvidos no caso não se conheciam, não tinham qualquer afinidade”, afirma.

A suspeita da existência de um grupo do tipo no Piauí teria surgido com o caso Marinalva e também a ocorrência de um bilhete com mensagens alusivas a movimentos criminosos em prol da morte dos homossexuais. Nesta situação em específico, um número de telefone no verso do papel levou ao mecânico conhecido como Wilson, contudo a polícia não dá a autoria como certa,já que investigações complementares ainda estão em voga.

Caso Brenda

Na ocasião, Escórcio também revelou o acusado de agredir a transexual Brenda Vitória, no último dia 30 de julho. Com o auxílio de câmeras de segurança, o autor do crime foi identificado e responderá por lesão corporal leve. O empresário Jackson Silva Xavier está aguardando a conclusão do trabalho em liberdade, já que se apresentou espontaneamente na delegacia, segundo o titular da DP, o acusado declarou que teria confundido Vitória com uma mulher e ao perceber que se tratava de um transexual teria cometido o ato de violência.

Já a transexual dá outra versão e insere que o desacordo seria por conta do pagamento. De todo o modo, a coordenadora de enfrentamento à homofobia Joseane Borges declarou sua decepção com os rumos do processo. “Estou achando muito lento, eu vejo que a Justiça está fazendo o seu trabalho, mas ainda não é algo concreto, após isso tudo,talvez fique até mais perigoso. É um sentimento de tristeza”, finaliza.




Fonte: Francy Teixeira