População vive refém da criminalidade e violência nas ruas de Teresina

População vive refém da criminalidade e violência nas ruas de Teresina

Com tentativas de furto, assaltos a mão armada e assassinatos acontecendo a cada instante, está cada vez mais difícil sair às ruas. Preocupada com a própria vida, a população se sente de mãos atadas

Em conversas entre amigos, rodas de bate-papo ou diálogos familiares, o assunto insiste em pairar no problema da insegurança. Com tentativas de furto, assaltos a mão armada e assassinatos acontecendo a cada instante, está cada vez mais difícil sair nas ruas. Preocupados com a própria vida, a população se sente de mãos atadas.

As estatísticas atestam a situação de vulnerabilidade da segurança pública. Foram 29 homicídios cometidos em Teresina no mês de janeiro, um dado positivo ante as 48 mortes ocorridas em dezembro de 2014.

As mortes, quatro foram resultantes de latrocínio e as outras 25 vítimas todas possuíam antecedentes criminais, como homicídio, roubo, furto, tráfico de drogas, envolvimentos com gangues ou dependência química.

Também em janeiro, foram apreendidas 59 armas de fogo e 140 veículos roubados. Essas são estatísticas da Polícia Civil que reforçam o compromisso do órgão em assegurar paz de espírito para a sociedade.

Mas nem isso é suficiente para colocar uma expressão de alívio nas pessoas, que ainda se sentem desprotegidas e com a sensação de que as coisas estão piorando.

“Hoje em dia tenho medo de sair de casa para ir à esquina. Sofri um assalto recentemente onde colocaram a arma em minha cabeça e desde então tenho medo de ruas vazias e até de algumas pessoas. Sempre que estou caminhando no meio da rua e vejo alguém se aproximar de mim, começo a me tremer e as vezes penso em correr.

Não é preconceito das pessoas, mas hoje em dia não tenho condições de sair na rua sem sentir muito medo”, desabafa a jornalista Ana Biatriz Silveira.

Ana, cada vez mais tensa ao lembrar do episódio, conta que foi prestar queixa à polícia principalmente porque teve o celular roubado e precisava de um boletim de ocorrência para rastrear o celular.

E, ao reclamar sobre a falta de segurança às ruas, relata que recebeu uma resposta vazia do agente de segurança. “Disseram que estavam fazendo tudo o que era possível e que eu não precisaria me preocupar. Posso comprar outro celular, mas quem vai me trazer de volta a paz que me levaram?”, questiona.

Criminalidade: Famílias prejudicadas exigem paz

Quem perdeu um ente querido sente ainda mais o peso da criminalidade e segurança. A promotora de vendas Daniele Estefany presenciou o assassinato do marido em um desentendimento ocorrido no bairro Parque Piauí, na zona Sul de Teresina, há sete meses e conta que teve a vida destruída após o ocorrido.

“Meu esposo sempre foi um homem trabalhador que teve a vida tirada em uma confusão sem sentido. Ele foi morto a sangue frio no meio da rua e em frente a várias testemunhas. Até hoje a Polícia não fez nada a respeito e o assassino continua solto”, emociona-se.

“Tudo o que peço é paz e segurança. A dor de perder um ente querido é muito grande e a sensação de ver sua própria família desmoronar é a pior possível. Não podemos perder mais pessoas de bem por causa da criminalidade.

Estamos exigindo um direito básico que é a segurança da população. Não estamos pedindo demais, estamos exigindo nosso direito”, desabafa a promotora de vendas.

O Bairro Porto Alegre, também na zona Sul da capital, vive sob a alcunha do medo. Há cerca de 15 dias, a auxiliar de enfermagem Ariane Sousa dos Santos foi assassinada por dois assaltantes após fugir de uma tentativa de assalto em um ponto de ônibus.

Ela foi baleada ao lado de uma escola e veio a óbito no local. A iniciativa da caminhada foi proposta pela comunidade, que espera atitudes do poder público.

“A zona Sul clama por mudanças. Queremos que os gestores realizem um trabalho pela comunidade, fazendo com que os jovens, idosos e família sejam integrados e tenham alguma ocupação. Os jovens precisam de oportunidades, mais possibilidades de emprego e inclusão.

Eles não podem ficar ociosos, pois é aí que eles entram em contato com a criminalidade. Mais interessante que modificar leis é trazer benefícios para a comunidade”, reitera Ascânio Sávio, liderança comunitária da zona Sul.
No que diz respeito às vidas perdidas em decorrência da criminalidade, a Polícia Militar do Piauí lamenta o ocorrido.

“Sabemos que a dor de quem perdeu um ente querido ou as sequelas emocionais de que foi vítima de quem foi vítima de furto ou roubo não diminui com a apresentação destes dados.

Apenas queremos prestar contas à sociedade piauiense do que fazemos para que possamos continuamente melhorar a qualidade dos serviços que realizamos”, pontua o major Adriano de Lucena.

Fonte: Olegário Borges