Preso acusado de matar delegado no MA

A participação dele no crime foi a de ter monitorado os passos do delegado

Foi preso no início da tarde de hoje (6), em Manaus, o último acusado do assassinato do delegado Stênio Mendonça. Segundo informações da Rádio Mirante AM, Carlos Antônio Martins dos Santos, era cunhado de "Bel". Ela era o único dos acusados que estava com o mandado de prisão em aberto desde 1997.

A participação dele no crime foi a de ter monitorado os passos do delegado e posteriormente ter dado fuga aos autores do assassinato de Stênio Mendonça.

Segundo informações, da Polícia Federal, que efetuou a prisão, Carlos Antônio Martins dos Santos estava sendo monitorado pelo Serviço de Inteligência da PF do Maranhão. Ele deverá ser transferido para São Luís, mas a data ainda não foi definida.

O crime

A morte do delegado Stênio Mendonça, ocorreu em 25 de maio de 1997, na Avenida Litorânea.

Domingo pela manhã, a trama foi refeita. Desde às 7h30, Antônio Carlos Martins, cunhado de Bel, monitorava os passos do delegado, posicionado estrategicamente próximo à sua residência, no Cohafuma.

Às 10h30, Carlos Martins telefonou para Bel informando que Stênio Mendonça saíra de casa com destino à praia. Carlinhos e Cabo Cruz rumaram, em um Fiat branco, para a Litorânea e se posicionaram próximo à praça, enquanto Joaquim Lauristo, em uma F-1.000 preta e sem placas, deslocou-se até o local em companhia de Lindenor Júnior, Zé Júlio e Ismael, enquanto Galdino e Marcelo, outros membros do bando, percorriam a área em um Ômega vinho, de Lauristo, para dar cobertura.

Após uma rápida conversa, Bel e Joaquim Lauristo ordenaram que Ismael passasse para o Fiat branco, onde estavam Carlinhos e Cabo Cruz, e seguissem para a praia da Marcela, onde estava Stênio. Ao se aproximarem do local, os dois pistoleiros desceram do carro. Zé Júlio também se aproximou, posicionando-se ao lado de um vendedor de coco, dando apoio aos dois pistoleiros.

Os dois primeiros disparos, que atingiram um dos olhos e a boca do delegado, foram efetuados por Ismael, que usava um revólver 357. Segundo testemunhas, Cabo Cruz também teria atirado. Os projéteis teriam transfixado o corpo de Stênio Mendonça, e por isso não foram encontrados nas diligências realizadas pelo Instituto de Criminalística (Icrim) e Instituto Médico Legal (IML). Nos exames balísticos, ficou comprovado que a única arma utilizada teria sido o revólver 357, ou seja, apenas Ismael teria atirado.

À tarde, por volta das 15h30, Joaquim Lauristo, Zé Júlio e Lindenor encontraram-se com o delegado Ribamar Pinheiro, na fábrica de sandálias de sua propriedade, no Tibiri. Lá, tomaram várias doses de uísque e conversaram sobre o crime. Fato este que se comprova não somente em depoimentos de testemunhas, mas pelos cerca de 10 telefonemas dados por Lauristo a Pinheiro, antes, durante e depois do crime, demonstrando a amizade entre eles.

Carlinhos foi preso no dia seguinte ao crime e Bel e seu bando, um mês depois. Preocupados em serem delatados pelos membros da quadrilha que estavam presos, o então deputado José Gerardo e Joaquim Lauristo teriam tentado a todo custo ?queimar os arquivos?. Primeiro, financiando o assassinato do Bando Bel, o que ocorreu um mês depois, e tentando soltar Carlinhos para que fosse executado em seguida, mas não conseguiu.

José Humberto Gomes de Oliveira, o Bel, e Cabo Cruz foram mortos durante uma chacina em Santa Luzia, quando eram levados para aquela cidade para depoimentos sobre um outro crime.

Fonte: Imirante