"Se Bruno for inteligente, vai confessar o assassinato para reduzir sua pena", diz advogado

"Se Bruno for inteligente, vai confessar o assassinato para reduzir sua pena", diz advogado

Arteiro acrescentou que pretende protocolar pedido para ouvir uma ex-companheira de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão

O advogado da família de Eliza Samudio, José Arteiro Cavalcante, disse nesta segunda-feira que, se Bruno for inteligente, vai confessar o assassinato da ex-modelo para reduzir sua pena. Para Arteiro, a condenação do ex-goleiro do Flamengo é praticamente certa, no julgamento que começou hoje no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. ?Se ele não confessar, vai chover uma cadeia nas costas dele para ele deixar de ser burro?, afirmou o advogado, ao chegar ao fórum.

Questionado sobre possíveis manobras da defesa dentro do julgamento, Arteiro observou que a situação, no momento, é diferente. Ele ressaltou que todas as possibilidades de defesa devem ser dadas aos reús. A ex-mulher de Bruno, Dayane Rodrigues do Carmo, também será julgada. Ela chegou ao tribunal, e não falou com a imprensa. ?Queremos ampla chance de defesa para o Bruno, porque de qualquer maneira, vamos rachar ele aí?, pontuou.

Arteiro acrescentou que pretende protocolar pedido para ouvir uma ex-companheira de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, que foi condenado a 15 anos de prisão no fim do ano passado pela morte de Eliza Samúdio. Ela acusa Bruno de ter participação direta no crime.

Protesto

Um grupo de 20 mulheres ligadas ao movimento feminista do PSTU protesta em frente ao Fórum de Contagem. Com faixas e gritos de ordem, elas pedem o fim da violência contra as mulheres. Embora a movimentação no local seja grande, não há registro de tumultos, e a situação é bem tranquila. Algumas pessoas mostram cartazes pedindo a condenação do ex-goleiro do Flamengo.

Mais cedo, uma mulher que se identificou como atriz, Gilmara Oliveira, pintou o corpo de vermelho também em forma de protesto. Ela não falou com ninguém, mas um amigo informou que não se trata de um protesto contra Bruno, e sim, pelo fim da violência contra as mulheres.

Caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

Fonte: Terra