Subprefeita negocia com assaltante para não ter o celular roubado

Segundo Soninha, o criminoso estava sentado na calçada e ela até o cumprimentou quando passou

A subprefeita da Lapa, Soninha Francine, foi assaltada na Rua Caio Graco, na Zona Oeste de São Paulo, nas proximidades da subprefeitura, na noite de segunda-feira (10) e ainda negociou com o criminoso para que ele não levasse seu telefone celular. Há menos de dois meses, ela teve a moto furtada na mesma região.

Segundo Soninha, o criminoso estava sentado na calçada e ela até o cumprimentou quando passou. Vinte metros depois ela foi abordada por ele, que estava armado com uma faca, e disse para ela ficar quieta e entregar o celular.

Preocupada em perder os contatos da agenda de seu celular ela disse ter negociado com o assaltante perguntando quanto ele queria para não levar o telefone. "Ele me pediu R$ 50 e eu disse que não tinha R$ 50 no bolso porque não saí para ser assaltada", contou.

De acordo com a subprefeita, o criminoso disse que tinha vergonha de assaltar pessoas na rua, pois costumava atuar armado com revólver roubando casas lotéricas. "Ele contou que tinha sido preso, saiu, mas que uns traficantes estavam cobrando R$ 50", relatou. Soninha disse que depois de uma longa conversa, o convenceu a levar os R$ 35 que ela tinha no bolso. O criminoso teria lhe dito que já havia roubado R$ 10 de outra pessoa e que só faltaria R$ 5 para completar os R$ 50.

Questionada se não tinha ficado com medo pelo o fato de o assaltante estar com uma faca, Soninha contou que essa não foi a primeira vez que negociou com criminosos para reduzir os danos do crime. "A gente nunca sabe como é uma tentativa de assalto. Essa foi a quarta vez que negociei com um assaltante. Na primeira vez, o joelho amoleceu e, ontem, não vou dizer que não fiquei com um frio na barriga, mas estava tranquila", afirmou.

Durante todo o assalto um amigo de Soninha ouviu a conversa entre ela e o suspeito. ?Meu celular tocou, eu pedi para atender e deixei ligado. Ele [o amigo] ouviu tudo?, contou. A subprefeita disse que ligou para o 190 depois do assalto, mas não foi registrar o boletim de ocorrência na mesma hora porque estava cansada e queria ir logo para casa. Ela postou comentário no Twitter, na noite de segunda, contando o assalto.

Quando falou com o G1, por telefone, por volta das 9h desta terça-feira, ela disse que estava a caminho da delegacia para registrar o caso. ?Vou fazer porque eu sei que é importante estatisticamente?, disse. A subprefeita afirmou que reconheceria o assaltante se o encontrasse novamente, mas que não saberia descrevê-lo para a confecção de um retrato falado, por exemplo.

Fonte: g1, www.g1.com.br