Terceira vítima de estupro reconhece trio suspeito de crimes em van

Jovem abusada no carnaval identificou suspeitos, já presos, pela televisão. Além de 3 estupros, suspeitos são investigados por pelo menos 10 roubos

O trio de suspeitos de cometer crimes em uma van na Região Metropolitana do Rio foi identificado por uma terceira mulher que diz ter sido estuprada por eles. A jovem, que não teve a identidade revelada, contou ter sido abusada no carnaval, mas disse a policiais nesta terça-feira (2) que não registrou queixa com medo da reação dos pais, segundo um inspetor da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), onde o caso é investigado.


Terceira vítima de estupro reconhece trio suspeito de crimes em van

Jonathan Froudakis de Souza, de 19 anos, o "Gordinho", Wallace Aparecido Souza Silva, de 21, o "Cachorrão" ou "Tarugo", e Carlos Armando Costa dos Santos, o "Baby", também de 21, presos na Deat, foram levados ao Tribunal de Justiça, no Centro do Rio, na tarde desta terça. Na segunda, os dois primeiros, que haviam sido presos no sábado (30), dia em que mantiveram um casal de estrageiros como refém por seis horas, abusaram da menina e espancaram o rapaz, também foram ao TJ para que a vítima os indentificasse em juízo.

A mãe do "Baby", preso nesta segunda, está do lado de fora delegacia. "De um mês para cá, ele se envolveu com pessoas erradas", disse a mulher, que se identificou como Monica.

O delegado disse em entrevista coletiva que, a partir da prisão dos três, vai investigar casos antigos de roubos que possam ter sido praticados pelos mesmos suspeitos. Segundo investigadores da Deat, pelo menos outros 10 casos relatados por policiais de outras delegaciais estão sendo analisados.

Segundo o delegado, os casos já registrados continuarão sendo investigados nas delegacias de origem. Os três suspeitos presos, Jonathan Froudakis de Souza, de 19 anos, o "Gordinho", Wallace Aparecido Souza Silva, de 21, o "Cachorrão" ou "Tarugo", e Carlos Armando Costa dos Santos, também de 21, o "Baby", foram indiciados por estupro, corrupção de menores e roubo. Os três serão encaminhados nesta terça-feira (2), à Secretaria estadual de Administração Penitenciária, que vai encaminhá-los a um presídio.

O terceiro suspeito foi preso na noite de segunda-feira (1º), em Itaboraí, na Região Metropolitana. Ele foi reconhecido pelo turista estrangeiro que foi algemado e agredido na van enquanto sua namorada, também estrangeira era estuprada, na madrugada de sábado (30). O reconhecimento foi feito na noite de segunda-feira, na delegacia.

Segundo o delegado, ao ser preso, Carlos Armando admitiu participação nos crimes. No entanto, ao chegar à Deat negou. Na manhã desta terça, o preso voltou confessar sua participação nos crimes.

Crime na van

Segundo a polícia, o casal pegou uma van em Copacabana, na Zona Sul, para ir à Lapa, no Centro, por volta da 0h de sábado. Outros passageiros entraram, mas foram obrigados a descer em Botafogo. A partir daí, os três, segundo depoimentos, teriam prendido o estrangeiro com uma algema, bateram nele com uma barra de ferro, e começaram a abusar sexualmente da namorada dele. O crime durou seis horas, ainda de acordo com a polícia, e a van rodou por Rio, Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, parando em postos de gasolina, onde utilizaram os cartões de crédito das vítimas, e em um banco, para sacar dinheiro.

Após a divulgação da prisão dos dois primeiros suspeitos na imprensa, outras vítimas do grupo procuraram várias delegacias, segundo o delegado da Deat, Alexandre Braga. Até a última atualização desta reportagem, ainda não havia o número exato de registros. Uma outra mulher, brasileira, de 21 anos, disse também ter sido estuprada.

Delegada é afastada

Ela já havia registrado queixa na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), no dia 23 de março e, nesta segunda, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, que conversou com a vítima pessoalmente, decidiu exonerar do cargo a delegada Marta Dominguez, titular da Deam de Niterói, "por entender que não foram adotadas as medidas necessárias de investigação".

Também foi exonerada do cargo a diretora do Posto Regional de Polícia Técnico Científica (PRPTC) de São Gonçalo, a perita Martha Pereira, uma vez que ficou constatada a demora no atendimento à vítima, no Instituto Médico Legal (IML) do município. "A delegada Martha Rocha pede desculpas pela prestação de serviços e lamenta que a gestão dos dois órgãos envolvidos estivessem sob a responsabilidade de mulheres, justamente as que deveriam ser mais sensíveis em episódios como este. A chefe de Polícia determinou ainda que a Corregedoria Interna da Polícia Civil analise os procedimentos realizados", diz a nota enviada pela assessoria de imprensa da Polícia Civil.

Estrangeiro reconheceu suspeitos em juízo

O estrangeiro agredido, de 23 anos, teve hemorragia no olho e fratura da face. Por volta das 19h desta segunda, ele reconheceu no Tribunal de Justiça, no Centro do Rio, os dois suspeitos presos através de um vidro, sem que tivesse contato direto. Como a mulher, de 21 anos, que sofreu fratura no nariz, já deixou o país, a ideia do juiz era produzir prova antecipada, para o caso de o rapaz também sair do Brasil. Segundo a polícia, os dois são estudantes de intercâmbio de uma faculdade na Zona Sul da cidade.

?Conversamos com a promotora e o juiz concordou que fosse feita produção antecipada de prova. A vítima, que está no Brasil, vai ser ouvida em juízo e fazer o reconhecimento para que a prova seja mais contundente e forte. Para ele não voltar ao Brasil se não desejar?, explicou o delegado Alexandre Braga.

Fonte: G1