Tia de menina vítima de seita de canibais revela medo de ser morta junto com sobrinha

Tia de menina vítima de seita de canibais revela medo de ser morta junto com sobrinha

Garota de cinco anos ainda tem medo de facas e lembra com detalhes das mortes.

A dona de casa Cosma de Araújo Pereira tem 63 anos, criou uma filha e duas netas. Neste ano, ela foi pega de surpresa pela notícia de que uma seita praticante de canibalismo, em Garanhus (PE), estava com a filha da sobrinha Jéssica Pereira, morta em 2008 pelo mesmo grupo que comia carne humana. A ida da menina, de cinco anos, para a casa de Cosma traz agora felicidade e também preocupação. Isso porque a dona de casa teme que outros integrantes da seita façam mal à ela e à sobrinha-neta.

? Essa seita que comia pessoas não tinha só os três [presos e indiciados pela polícia]. Eu tenho muito receio que outras pessoas desse grupo procurem nós [sic] e façam algum mal contra a gente. Não deixo ela ir com ninguém . Estou o tempo todo de olho na menina.

Cosma conta que afasta o medo de ameças com as orações que faz. É na conversa dela de ?todos os dias? com Deus que também pede para que a garota não sofra mais rejeição, como aconteceu em uma creche que a menina começou a frequentar em Igaraçu.

? As crianças começaram a mexer com ela. As mães contaram de onde ela veio e a criançada chegou até a bater nela. Já tirei ela [sic] dessa creche e vou procurar outra.

Criação

Depois da morte da mãe, a garota passou a ser criada por Jorge Negromonte, chefe da seita, a quem chamava de papai. As memórias continuam vivas na cabeça da menina. Ela consegue lembrar, diz Cosma, dos gritos que ouvia pela casa, das agressões que sofreu e até das mulheres que foram violentadas e mortas pela seita de canibais.

? A "bichinha" está mais tranquila e feliz agora. Mas, às vezes, ela não pode ver uma faca que sai correndo. Ela viveu muita coisa triste naquela casa. Comer até carne da própria mãe.

A aproximação da menina encontrada com os canibais e Cosma aconteceu aos poucos. O Conselho Tutelar de Garanhus acompanhou os primeiros encontros. No começo, ela dormia apenas uma noite e voltava para um abrigo em Garanhus. As visitas ficaram mais extensas, até que a criança passou a morar definitivamente com Cosma. O amor dedicado à filha e netas foi reaquecido.

Apesar da vida bastante modesta que leva, Cosma diz que a nova filha passa por tratamento psicológico e médico. Comida e roupas são doadas pelas pessoas que frequentam a mesma igreja que ela.

? Eu amo muito [a filha de Jéssica] e eu sei que ela também me ama. Eu sei que agora não posso mais viver sem ela. E ela também não fica mais sem mim.

Fonte: R7, www.r7.com