Traficantes copiam escala de serviço da Polícia Militar do Rio

Traficantes copiam escala de serviço da Polícia Militar do Rio

Bandidos fazem o mesmo plantão de uma determinada equipe de policiais.

Os traficantes de drogas que atuam em favelas do Rio de Janeiro trabalham em regime de plantão e copiam a escala de serviço utilizada pela Polícia Militar. Em algumas favelas os bandidos chegam a inovar. O mesmo grupo de traficantes fica de serviço sempre no mesmo dia de uma determinada equipe de policiais militares.

- Os traficantes fazem isso porque ficam sabendo a forma como a equipe de policiais trabalha ? conta um oficial da corporação.

Assim como PMs, os criminosos se revezam em plantões de 24 horas de trabalho por 48 ou 72 horas de descanso. Isso acontece principalmente em comunidades onde a situação é de tranquilidade, como explica um policial ouvido pelo R7.

- Funciona como nos batalhões da PM. Em um batalhão onde a rotina de trabalho é mais tranquila, um policial consegue trabalhar por 24 horas. Já nas unidades onde a rotina é mais puxada, em uma área muito violenta, ele faz no máximo 12 horas de trabalho, é muito cansativo.

A situação pode mudar em favelas sob ameaça de invasão por quadrilhas rivais ou de ocupação policial. Nos dois casos, as folgas dos traficantes daquela comunidade são automaticamente suspensas, assim como aconteceu com a polícia do Rio durante a onda de ataques, em novembro, e, posteriormente, durante a ocupação do Complexo do Alemão.

A maior parte das bocas de fumo, no entanto, costuma funcionar das 16h até as 4h. Apenas as muito movimentadas ficam abertas 24 horas.

Entre os cargos que precisam estar de prontidão durante todo o dia, estão os de "soldado" e "olheiro", responsáveis pela segurança e vigilância da favela, respectivamente.

O R7 começou nesta quarta-feira (22) uma série de reportagens chamada Tráfico S/A, que mostra como traficantes de drogas têm organização semelhantes à de uma empresa para gerir seus negócios nas favelas do Rio. As quadrilhas possuem uma hierarquia de cargos, com possibilidade de ascensão. Os "funcionários" trabalham sob regime de plantão. E, para obter mais lucro em seus negócios, costumam adicionar substâncias aos entorpecentes.

Os traficantes, no entanto, não vendem só drogas e diversificam cada vez mais suas atividades, explorando serviços como gatonet (TV a cabo clandestina) e distribuição de gás, além de abrir empresas. Essa é a terceira parte da série Tráfico S/A, que será publicada pelo R7, nesta sexta-feira (24).

Fonte: R7, www.r7.com