Traficantes até usam WhatsApp para monitorar movimentação de policiais

Pouco antes de ser preso, Marcondes enviou, pelo aplicativo, a seguinte mensagem a um traficante: “Koé, fiel operação mano no morro todo”.

Traficantes do Complexo do Alemão usam o WhatsApp, um aplicativo de mensagens gratuito, como canal de comunicação. A descoberta foi feita por agentes da 45ª DP (Alemão) durante operação para cumprir mandados de prisão da investigação sobre o ataque à delegacia, em 28 de janeiro. Um dos presos é Marcondes Gomes de Oliveira, que trabalha como segurança na estação Nova Brasília do teleférico do Alemão. Pouco antes de ser preso, Marcondes enviou, pelo aplicativo, a seguinte mensagem a um traficante: ?Koé, fiel operação mano no morro todo?. O aparelho foi apreendido pelos policiais.



De acordo com as investigações da distrital, Marcondes tinha uma vida dupla: nos momentos em que não estava trabalhando numa empresa terceirizada que presta serviço para a SuperVia, ele monitorava a movimentação dos policiais e enviava alertas aos traficantes da favela. Como seu posto de trabalho era em frente à 45ª DP, ele também era responsável por cumprir ordens dos traficantes para dificultar o trabalho dos policiais.

Pouco antes do ataque, quando a delegacia foi alvo de disparos de fuzil e coquetéis molotov, Marcondes retirou uma escada do último andar da estação do teleférico, que fica acima da delegacia. A escada era usada pelos agentes durante a noite para monitorar a movimentação de traficantes no vale da região da Nova Brasília.

Segundo os agentes, também foi Marcondes quem comunicou ao dono da lanchonete Doce Lar a ordem do tráfico para que ele deixasse a favela. Desde então, ele fechou as portas do estabelecimento e não aparece em casa, na Fazendinha. A operação terminou com o cumprimento de seis mandados de prisão e um de busca e apreensão. Entre os presos, estão Kleyton Afonso, gerente da localidade conhecida como Chuveirinho, onde o PM Rodrigo Paes leme foi morto na semana passada.

Fonte: Extra