Venda de drogas acontece livremente na porta do HUT

Venda de drogas acontece livremente na porta do HUT

O crack é vendido livremente por um homem que cuida do estacionamento naquela área. Leia mais!

A droga e seus efeitos devastadores estão presentes em toda parte da cidade, espalhados por lugares onde a maioria das pessoas sequer imaginam que ela possa estar: Hospitais, escolas, delegacias e até presídios. O fato é que nem as autoridades competentes são capazes de dar um fim a este mal. E um dos fatores que contribui para isso são as relações de poder econômico e político que envolvem a questão. Na zona Sul de Teresina, por exemplo, o traficante que comanda a área sabe bem o que significa ter privilégios. Renato, como é conhecido por lá, sente-se bem em ostentar sua riqueza em meio aos casebres da Vila Jerusalém.

O sítio que possui em uma área mais afastada do centro de Teresina segue o mesmo intuito. Renato abastece toda a área da zona Sul, mas principalmente a Vila Jerusalém e os pontos de venda próximos à rodoviária e às unidades de saúde como o HUT e o hospital do Promorar. Um serviço que se destaca na atuação desse traficante é a entrega a domicílio, feita por mototaxistas ou taxistas. No início do ano, o motorista de um táxi foi preso transportando droga no veículo. Renato também fornece droga para a família dos ?peixeiros?. São em média 30 pessoas a serviço do tráfico. Assim como acontece em alguns estacionamentos ou bares, como já revelou essa série de reportagens divulgada pelo Jornal Meio Norte, a comercialização de peixes é apenas um pretexto para atuar mais livremente no tráfico. A venda acontece principalmente no mercado do peixe, no quilômetro sete e na Vila Irmã Dulce.

Um dos integrantes dessa família é Luis, conhecido como Ligeirinho. Sua esposa foi presa recentemente com crack e maconha. Contudo, a venda de drogas não é o único crime praticado pelos ?peixeiros?. Um deles, identificado como Solteiro, está envolvido em um homicídio ocorrido há oito anos. Segundo informações apuradas pelo Jornal Meio Norte, ele matou um homem conhecido como Pantera porque desconfiou que a carga de droga trazida pela vítima estava incompleta. Mas o crime terminou impune, depois que Solteiro conseguiu derrubar o mandado de prisão.

Venda de drogas acontece livremente na porta do HUT

Sequer é necessário aguardar o anoitecer para comprar droga na frente do HUT. O crack é vendido livremente por um homem que cuida do estacionamento naquela área. O dinheiro é entregue para ele e outra pessoa vai buscar o entorpecente na Vila Jerusalém. Se desconfiar de alguma coisa, o homem não participa da venda diretamente. ?Aqui a gente não trabalha com isso, não. Fala ali com o Velhinho, ele que tem?, disse desconfiado. Contudo, após alguma insistência, o traficante recebe o dinheiro e manda um ?avião? pegar a droga de bicicleta. Durante o tempo em que a reportagem do Jornal Meio Norte aguardava o Velhinho, o outro homem foi embora de moto. Provavelmente, ele imaginou que era a polícia armando um flagrante. Nesse caso, somente o ?avião? seria pego com a droga, enquanto ele ficaria impune para continuar seu negócio.



A venda de drogas também acontece livremente na zona Leste de Teresina, embora os principais pontos de venda estejam nos bairros periféricos. Entre eles destaca-se a praça da Igreja do Satélite, os postos de lavagem de carro, a Vila do Buraco e a Vila Santa Bárbara, que - além do tráfico de drogas - também é um lugar usado por assaltantes de moto. Devido ser uma favela grande e cheia de mato, o local é propício para esconder o produto do roubo. Esses e outros ontos da zona Leste são abastecidos pelo traficante conhecido como Zé Rato. O que se evidencia, aqui, é o consumo de drogas em alguns postos de lavagem de carro. Os jovens de classe alta compram os entorpecentes enquanto esperam o veículo ser lavado. Segundo apurou o Jornal Meio Norte, foi Zé Rato quem denunciou, há quase dois anos, três policiais por extorsão. Todos foram expulsos da corporação, mas um deles conseguiu retornar depois de comprovar que não tinha envolvimento no caso.

Fonte: Ana Oliveira