Travesti é espancado e espera socorro por 30 h comendo grama

Ela entrou em um veículo guiado por um condutor "alterado" na avenida das Nações Unidas e não foi mais vista

Um travesti ferido foi encontrado em um matagal nesta sexta-feira, em Bauru, no interior de São Paulo. Identificada como Evelyn, a vítima estava desaparecida desde a madrugada de quinta-feira, quando entrou no carro de um homem, por volta das 3h. Ele disse ter ficado 30 horas aguardando socorro, após ter sido espancado, e que comeu grama para se hidratar.

Segundo amigos da vítima, ela entrou em um veículo guiado por um condutor "alterado" na avenida das Nações Unidas e não foi mais vista. O desaparecimento foi registrado no plantão policial e a Associação Bauru pela Diversidade (ABD) iniciou campanha nas redes sociais para encontrar Evelyn.

Nesta manhã, por volta das 11h, um motociclista encontrou o travesti bastante debilitado, com fratura em uma das pernas, hematomas pelo corpo e ferimentos à faca no pescoço. Além disso, ele teve o aplique do cabelo arrancado.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e Evelyn foi socorrido para o Pronto Socorro Central (PSC). Ele foi medicado e não corre risco de vida.

A ABD, por meio de seu presidente Marquinhos Souza, diz não ter dúvida de se tratar de um caso de homofobia. A ação criminosa pode ter sido filmada por câmeras instaladas próximas do local. Os vídeos podem auxiliar a Polícia Civil a identificar o agressor. O presidente da ABD disse que espera uma ação enérgica da Polícia Civil e Militar para esclarecer o caso.

Outra chance para identificar o agressor de Evelyn é com o dono de uma empresa de guincho que atendeu a um chamado de um homem que atolou seu carro próximo ao local do crime.

Outros casos

Há pouco mais de um mês, um travesti foi morto com um tiro também na avenida Nações Unidas, onde fazia ponto. Há cerca de 20 dias, um jovem de 27 anos foi agredido por um homem ainda não identificado dentro de um supermercado na cidade.

A ABD marcou para o dia 25 de fevereiro, uma manifestação de repúdio à homofobia em frente ao supermercado onde aconteceu a agressão. O supermercado não teria fornecido as imagens internas da loja para facilitar a identificação do agressor e ainda teria expulsado do local a vítima.

Fonte: Terra