Vilas da zona Sul convivem lado a lado com o medo

Vilas da zona Sul convivem lado a lado com o medo

Sob o domínio do tráfico de drogas, as Vilas Wall Ferraz e São José são cenários de medo.

Em alerta. É assim que os moradores das Vilas Wall Ferraz e São José, na zona Sul de Teresina, andam pelas ruas da comunidade. Os motivos para isso são os constantes assaltos e a briga pelo domínio do tráfico de drogas na região. A praça que divide as duas vilas é o ponto central da ação dos bandidos.

Durante o dia, quem passa pelo local não imagina o perigo que o lugar oferece. Crian- ças brincam enquanto pessoas esperam o ônibus passar. Mas até mesmo a tranquilidade que o local parece ter durante o dia revela o medo que as pessoas têm de sair de casa. E isso se torna maior durante a noite, que é quando as ações do tráfico de drogas se tornam mais nítidas.

A praça deixa, então, de ser o espaço de lazer da comunidade e passa a ser ponto de uso e comercializa- ção de drogas. Segundo Maria José Rodrigues, moradora da Vila Wall Ferraz, os assaltos são constantes na região, independente do horário.

“Os assaltos acontecem a toda hora. Principalmente quando eles veem que são pessoas que não são daqui. Roubam bolsa, celular, carteira, tudo. Para chegar ao Promorar tem uma ladeira que é assalto todo dia. Seis horas da manhã, meio-dia, à noitinha. A minha filha mesmo foi assaltada um tempo desses”, conta a autônoma que trabalha no Centro de Produção do bairro. localizado por trás da igreja.

Além de sua filha, ela e seu outro filho também já foram alvo de bandidos na região. E não há limites para os assaltantes. No dia em que ela foi assaltada, ela andava em um grupo, com mais de cinco pessoas.

“Aqui são poucas as pessoas que não foram assaltadas”, relata Maria José, que garante que até o Centro de Produção da Vila Wall Ferraz também foi alvo de bandidos. Mas outra ação que tem provocado maior medo nos últimos meses são os constantes tiroteios. No último mês, pelo menos quatro pessoas morreram na região por conta do tráfico.

“Aqui é tiro todo dia. Quando dá três horas da manhã pode esperar”, conta Maria José Rodrigues. Segundo populares, a localidade ficou mais periogosa desde que o Posto de Policiamento da Capital, que ficava a menos de 200 metros da praça, deixou de funcionar.

“O PPO tem mais de cinco anos que não existe. Quando tinha o PPO era bem melhor. Por mais que houvesse brigas das gangues era mais para o lado da pra- ça. Agora, quando dá fé os tiros acontecem bem aqui na esquina do Centro de Produ- ção”, conta a autônoma.

Na região, são pelo menos cinco vilas onde os moradores andam assustados. A Vila Santa Rita é exemplo disso. “Eu acho que a polícia está mais distante da gente. A polícia demora demais para passar, quando precisamos, demora. É ruim por isso”, conta Conceição Cardoso, proprietária de um bar na Vila Santa Rita.

População pede volta de PPO para as vilas

O Posto de Policiamento Ostensivo da Polícia Militar, localizado ao lado do Centro de Produção da Comunidade, foi por muito tempo garantia da seguran- ça dos moradores da região. Desde que foi desativado, os moradores informam que a violência aumentou significativamente.

Hoje o prédio em ruínas também virou alvo da ação de bandidos, servindo até mesmo de esconderijo para uso de drogas. Temendo o aumento da violência por conta da quantidade de assaltos e constantes tiroteios, moradores da Vila Wall Ferraz e São José já não sabem o que fazer para solucionar o problema. Segundo a presidente da Associação da Vila Wall Ferraz, Amparo Costa, há dois anos a associação chegou a requerer a reativação do PPO, mas o pedido foi negado pela Polícia Militar.

“Quando tinha o PPO, aqui era muito melhor. As brigas de gangues eram mais perto da praça, quando aqui funcionava o PPO. Agora, quando dá fé os tiros acontecem bem aqui na esquina”, conta Maria José, moradora da vila.

O comandante de policiamento da capital justifica a medida da PM do Piauí, afirmando que a implantação de um novo PPO não é mais uma alternativa da polícia. Isto porque o objetivo do órgão é manter a polícia mais perto da sociedade através do Programa Ronda Cidadão.

“A polícia não está mais trabalhando com sistema de PPO. Estamos trabalhando com o Ronda Cidadão, que é uma base que vai para a comunidade”, reforça coronel Albuquerque. Enquanto isso, a popula- ção já busca alternativas para solucionar o problema. “Vamos nos reunir novamente para procurar medidas. Não podemos ficar parados”, pontua Amparo Costa.

Fonte: Virgínia Santos