Você nunca mais será meu avô, diz vítima de estupro em carta

Você nunca mais será meu avô, diz vítima de estupro em carta

Polícia afirma que a menina contou com riqueza de detalhes os abusos sexuais e psicológicos que sofreria

"Nunca mais você vai ser o meu avô". É com essa frase que a menina de 9 anos, que teria sido abusada pelo padrasto e pelo marido da avó, com quem ela vivia havia 17 anos, finaliza uma carta escrita ao avô postiço. O delegado Tiago José dos Santos Húngaro não revela todo o conteúdo dos bilhetes, mas afirma que a garota chorava ao falar do companheiro e do padrasto de sua mãe.

A polícia afirma que a menina contou com riqueza de detalhes os abusos sexuais e psicológicos que sofreria diariamente. Na carta escrita ao marido de sua avó, a garota diz que ele não sabe o que fez com ela e se diz decepcionada. Em um dos trechos, ela expressa raiva pelo marido de sua avó. "Eu te odeio e muito e queria que você fosse preso para o resto da vida". "Fiquei pensando que você é meu avô e quando eu tava gostando de você, vai e me decepciona", diz em outro pedaço.

A avó materna disse não ter notado nada de estranho com a menina durante os cinco anos que garota afirma ter sido abusada dentro de casa. A mulher morava com os três suspeitos, a vítima e um garoto de 3 anos, em uma casa simples de um quarto no Balneário Mar Azul na cidade de Itapuí, a 258 km de São Paulo.

O avô negou que tenha praticado qualquer tipo de abuso contra a garota. Segundo a polícia, o padrasto de 23 anos admitiu que abusava da enteada, mas disse que nunca chegou a consumar nenhum ato por medo de machucá-la.

A mãe da vítima também foi presa. "Ela tinha o dever de proteger a filha", afirmou o delegado, que, depois de ouvir a menina por quatro horas, disse não ter dúvida sobre a culpa dos suspeitos.

"Não se pode revelar tudo, mas eu ouvi com riqueza de detalhes as atrocidades que eram cometidas contra essa menina pelos acusados", disse. Parentes, vizinhos e colegas da garota serão ouvidos. Os três suspeitos foram encaminhados para cadeias da região. A prisão temporária de 30 dias foi pelo crime de estupro de vulnerável, que se caracteriza quando existe conjunção carnal ou ato libidinoso com menores de 14 anos ou deficiente mental.

Fonte: Terra, www.terra.com.br