Alexandre Padilha é confirmado pelo PT como candidato ao governo de SP e ataca gestão tucana

Alexandre Padilha é confirmado pelo PT como candidato ao governo de SP e ataca gestão tucana

Dilma cancelou na tarde deste sábado (14) por motivos de saúde, segundo a legenda

O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), foi confirmado na manhã deste domingo (15) como candidato oficial da oposição ao governo de São Paulo. Padilha recebe apoio aberto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o final do ano passado. A presidente Dilma Rousseff tinha confirmado presença, mas cancelou às vésperas.

Dilma cancelou na tarde deste sábado (14) por motivos de saúde, segundo a legenda. A presidente gravou um vídeo em apoio à Padilha. Em seu discurso, Dilma falou que os paulistas querem uma chance de mudanças. "São Pailo não pode mais confiar em volume morto. Você, Padilha, é volume vivo", afirmou a presidente, em clara referência à crise da água em São Paulo. A seca na região da Cantareira fez com que o governo Alckmin apressasse obras para retirada do que o governador chamou de "reserva técnica" de água, também conhecida como "volume morto".

Lula chegou atrasado, mas foi chamado ao palco como "o presidente que mudou a cara do Brasil". Ao chegar, o ex-presidente foi aplaudido de pé pela militância petista. Ele subiu no palco de mãos dadas com Alexandre Padilha.

Em seu discurso, Padilha reiterou seu compromisso com a questão da saúde, e lembrou de seu passado trabalhando como médico em regiões remotas do país, e da segurança pública. Ele reforçou a idéia da necessidade de mudança. "Em minhas veias, corre o sangue paulista. O sangue daqueles que não se acomodam. Eu não sou conformista", disse.

"Os governos tucanos transformaram o que se chamava de progressão continuada numa verdadeira aprovação automática. São vinte anos de desserviço", criticou. Ainda sobre educação, ele afirmou "nós lugares onde o governo PSDB só criou presídios, nós vamos criar escolas técnicas". Padilha ainda criticou a gestão tucana e falou sobre a crise na USP, citando sua queda em rankings internacionais e responsabilizando os governos do PSDB.

A homologação do candidato petista foi feita em convenção estadual com a presença de cerca de 3 mil delegados e militantes no ginásio do Canindé, região Central de São Paulo. O evento contou com cartazes com o rosto do candidato ao lado da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, além de referências à candidatura de reeleição do senador Eduardo Suplicy.

Delegados trouxeram faixas de torcidas organizadas, especialmente do Corinthians, time do Lula. A bateria da escola de samba Gaviões da Fiel tocou no evento, assim como o músico Rappin Hood. Não era permitido pendurar faixas de candidatos já que mais de duzentos nomes vão de candidatar a cargos do Legislativo e Executivo no país.

O evento também contou com a presença do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, das ministras Miriam Belchior, Eleonora Menicucci e Marta Suplicy, do líder do PT na Câmara dos Deputados, Vicentinho, e do presidente nacional do PT, Rui Falcão.

O pai de Padilha, seu Antônio Padilha, foi chamado ao palco para apresentar uma homenagem ao seu filho. Durante a convenção, um vídeo com depoimentos de amigos e familiares do agora candidato foi passado.

Apesar da confirmação da candidatura do ex-ministro, a legenda ainda não fechou o nome do vice.

Ao lado do ex-presidente Lula e do senador Eduardo Suplicy, Padilha criticou o atual governo tucano. O PSDB e aliados governam o estado há quase vinte anos e o atual governador, Geraldo Alckmin (PSDB), é candidato à reeleição.

O PT pode realizar convenções para decidir o nome de candidatos, inclusive o de vice-governador, até o próximo dia 30 de junho, prazo final determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apoio à Dilma

Mesmo tendo faltado ao evento, a presidente Dilma recebeu apoio da militância petista presente. Seu nome foi ovacionado ao som de "olê olê olê olá Dilma Dilma".

Em seu discurso, o presidente estadual do PT, Emídio de Souza, chamou de "agressão vergonhosa" as vaias e xingamentos recebidos pela presidente na abertura da Copa do Mundo, na quinta-feira (12).

"Quem foi mal educado não foi a torcida organizada do Corinthians, ou a organizada de qualquer time, talvez tenha sido gente que andou de metrô em São Paulo pela primeira vez naquele dia gene que só anda de metrô em Paris ou Nova York", disse Souza.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse estar "engasgado" desde a abertura da Copa do Mundo. "O mínimo que a política com "p" maiúsculo tinha que exigir era um gesto de solidariedade e de repúdio ao que aconteceu nas arquibancadas dos candidatos adversários e das pessoas minimamente civilizadas", falou.

Fonte: Terra