Ameaçado de expulsão, deputado flagrado com dinheiro na meia deixa o DEM

Com a decisão, o deputado não poderá disputar as eleições de 2010

Ameaçado de expulsão, o deputado distrital Leonardo Prudente anunciou sua desfiliação do DEM "por questão de foro íntimo".

Prudente comunicou ainda que reassumiu a presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal, de onde está afastado desde quando surgiram as denúncias do suposto esquema de pagamento de propina envolvendo o governador José Roberto Arruda (sem partido) e parlamentares aliados.

Com a decisão, o deputado não poderá disputar as eleições de 2010. Segundo o secretário-geral do DEM no DF, Flávio Couri, o partido pode, agora, discutir se vai pedir o mandato dele na Justiça Eleitoral.

"Não há mais o que ser feito sobre o Prudente. Foi uma saída voluntária. O único ponto que podemos discutir futuramente será o pedido do mandato dele de volta para a legenda", afirmou.

Prudente --que foi flagrado guardando dinheiro nas meias e fazendo oração em agradecendo em suposta propina-- encaminhou um comunicado por fax aos integrantes do diretório do DEM no DF, que estavam reunidos para tratar de seu processo de expulsão. A reunião não chegou a ocorrer porque apenas oito dos 21 membros da executiva regional compareceram.

O presidente do DEM no DF e vice-governador, Paulo Octavio, não apareceu. Ele ficou aguardando para saber se o quorum necessário --11 integrantes-- seria alcançado, para evitar um desgaste.

Chamou atenção que os integrantes seguraram a reunião após o horário previsto, sinalizando que já aguardavam a desfiliação.

Segundo o advogado de Leonardo Prudente, Herman Barbosa, sem o quorum, Prudente achou que o melhor seria sair da legenda, numa manifestação de desapego.

"Por questões de foro íntimo solicito minha desfiliação. Registro que não me candidatarei a qualquer cargo público nas eleições de 2010. Reassumo minhas funções como deputado e presidente da Câmara Legislativa agora sem interferência partidária", afirmou.

O senador Adelmir Santana (DEM-DF) ficou encarregado de informar a saída do presidente da Câmara local. "Nós aguardamos até as 20h15 e não havendo quorum recebemos um fax do deputado Leonardo Prudente com um pedido de desfiliação. O assunto então está encerrado dentro do partido", disse.

Agora, Prudente responde na Câmara local a dois processos por quebra de decoro parlamentar e pode ser cassado. O processo de expulsão de Prudente era dado como certo diante da pressão da Executiva nacional, que trabalhou para tirar dos quadros do partido o governador --que também se desfiliou às vésperas.

Prudente entregou, no final da tarde desta quarta-feira, sua defesa. Apesar de argumentar em 14 páginas que sua defesa foi cerceada no processo porque pediu a cópia do vídeo e do inquérito e o partido negou, porque o material seria de domínio publico, o distrital justifica que o suposto dinheiro nas imagens teria sido uma doação de Durval para as eleições de 2006.

O relator do caso, o ex-senador Lindberg Cury, e o secretário-geral do DEM no DF, Flávio Couri, elaboraram o parecer em pouco mais de meia hora. Cury evitou adiantar o voto, mas classificou de "simplistas" as explicações.

"Ao examinarmos, a defesa não é muito complexa e com ajuda do advogado nós fizemos o relatório que será apresentado hoje na reunião da executiva regional", disse o relator.

O secretário-geral usou um discurso mais forte e disse que as justificativas apresentadas não convenceram. "Há contradição. Ao mesmo tempo que ele afirma que não teve acesso às imagens, ele transcreve as fitas e o relator levou isso em consideração", afirmou.

Prudente ainda apresentou uma explicação para o vídeo chamado de "oração da propina", no qual aparece ao lado do distrital Junior Brunelli (PSC) e do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa --delator do esquema-- agradecendo o suposto dinheiro de propina.

Em outra imagem, ele aparece recebendo dinheiro das mãos de Barbosa e guardando no terno e nas meias. "Ele cita o trecho da oração alegando que não houve intenção de prejudicar quem quer que seja e alega que foi num momento de muita fé", disse o secretário-geral.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br