Após caso do castelo, deputado Edmar Moreira renuncia à Corregedoria da Câmara

O deputado foi denunciado à Justiça pelo procurador-geral da República

O deputado Edmar Moreira (DEM-MG), corregedor da Câmara dos Deputados e segundo vice-presidente da Casa, comunicou, na noite deste domingo (8), por telefone, sua renúncia aos cargos ao recém-empossado presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP).

Como a corregedoria da Câmara é vinculada à vice-presidência, Moreira também abriu mão automaticamente dessa função.

Temer, que está em São Paulo, espera receber, via fax, o documento no qual Moreira comunica formalmente sua renúncia ainda na noite deste domingo.

O deputado foi denunciado à Justiça pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por suspeita de se apropriar ilegalmente de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) feita por seus empregados de empresa de vigilância.

Outro fato, no entanto, chamou mais a atenção dos parlamentares e tornou insustentável sua situação: a suspeita de não ter declarado à Justiça Eleitoral a propriedade de um castelo de estilo medieval, no valor de quase R$ 25 milhões, no Distrito de São João de Nepomuceno, na Zona da Mata mineira.

Ele alega que doou a propriedade aos filhos.

Em São Paulo, ele fez carreira na área de segurança, e empresas abertas por ele são acusadas não cumprir obrigações trabalhistas.

DEM

Para os dirigentes do partido, a situação de Edmar Moreira se tornou insustentável politicamente dentro da legenda depois da descoberta da existência do castelo. Mas o comando do DEM já estava extremamente insatisfeito com Moreira por conta de sua entrada na disputa pela segunda vice-presidência da Câmara.

O partido tinha um candidato oficial, o deputado paraense Vic Pires Franco, mas Moreira decidiu se manter na disputa e teve apoio forte em outras legendas (especialmente na bancada do PT), conquistando a vaga.

Agora, com o surgimento das denúncias, a Executiva do DEM quer aproveitar para passar as pendências com Moreira a limpo. Rodrigo Maia já tinha divulgado nota na quarta-feira (4) cobrando sua renúncia dos cargos na Câmara, mas sem vincular essa cobrança ao caso do castelo.

A queixa era contra as declarações dadas anteriormente por Edmar defendendo a tese de que o Congresso não tivesse mais poderes para julgar seus membros, posição considerada inadmissível pelo partido.

Mas o DEM queria mesmo cobrar de Moreira sua infidelidade à candidatura oficial de Vic Pires. Agora, com a suspeita de que o deputado não declarou o castelo à Justiça Eleitoral, os dirigentes do DEM admitem a possibilidade de expulsão do deputado.

Fonte: g1, www.g1.com.br