Autonomia do BC permitiu elevar juros em ano eleitoral, afirma Dilma

Pré-candidata pregou autonomia do Banco Central a investidores nos EUA.

A pré candidata do PT à presidência da República deu hoje em Nova York um recado aos investidores internacionais.

Para Dilma Rousseff, é imprescindível manter a autonomia operacional do Banco Central. "Eu considero que a autonomia operacional serviu para entrarmos numa estabilidade. A política monetária do Banco Central tem sido clara".

A ex-ministra destacou que a importância desta estrutura é que, em pleno ano eleitoral, a autoridade monetária aumentou a taxa de juros como instrumento de política econômica sem se preocupar com os efeitos negativos que isso poderia ter sobre a eleição.

"Isso é importante porque no Brasil a autonomia operacional do Banco Central permitiu que em ano eleitoral houvesse aumento dos juros", explicou durante a participação de um encontro para investidores internacionais, organizado pela BMF Bovespa, sobre eleição presidencial.

Dilma Roussef também se mostrou favorável, caso vença a corrida à Presidência, a blindar o cargo de presidente do Banco Central com o status de ministro, a exemplo do que foi feito com Henrique Meirelles.

A pré-candidata disse que percebeu entre os investidores a preocupação de saber se o Brasil continuaria crescendo e mantendo a estabilidade econômica.

"A minha afirmação para eles pode ser sintetizada da seguinte forma. O Brasil vai continuar crescendo com inclusão social, perseguindo o controle da inflação com a política de metas e mantendo o controle fiscal através da redução do endividamento" , informou.

Segundo Dilma Roussef, existe hoje no Brasil uma consciência dos avanços conseguidos na área econômica. Apesar de dizer que o governo Lula adotou mudanças importantes, ela reconheceu que o estágio atual da economia brasileira não é fruto apenas do atual governo.

Para a pré-candidata, a prudência mostra que a redução da meta de inflação tem que ser feita de forma gradual. "Acho que a prudência mostra que essa redução tem que ser gradual. Fazer isso com cuidado porque vivemos em um mundo muito turbulento. Por isso, temos que fazer com muita cautela", explicou.

Mais uma vez ela defendeu o Programa de Aceleração do Crescimento e respondeu às críticas feitas ao PAC. " Muitas pessoas politizam o PAC e dizem que ele é uma lista de obras".

Depois do encontro durante uma entrevista coletiva para jornalistas brasileiros e estrangeiros, a ex-ministra foi acompanhada por dois tradutores, mas não ficou satisfeita com o trabalho de um deles.

Dilma chegou a chamar atenção do trabalho que era feito por uma tradutora e corrigiu em alguns momentos o que ela estava dizendo. A pré-candidata achou que a tradutora não estava dizendo literalmente o que ela tinha acabado de declarar. Em um momento, no entanto, teve que reconhecer que estava errada. Mas a tradutora acabou encerrando o trabalho e sendo substituída pelo seu colega tradutor.

Fonte: g1, www.g1.com.br