Cachoeira e Delta são depoimentos mais pedidos por membros da CPI

Na quarta, CPI se reúne e deve votar 168 requerimentos protocolados

Os depoimentos do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e de dois ex-dirigentes da empreiteira Delta (Fernando Cavendish,ex-presidente, e Cláudio Abreu, ex-diretor na região Centro-Oeste) são os mais desejados pelos membros da CPI mista que vai apurar o envolvimento de políticos e empresários com o grupo do contraventor preso pela Polícia Federal.

Na próxima quarta-feira (2), os 32 integrantes da CPI (16 deputados e 16 senadores) fazem a segunda reunião de trabalho, na qual deverão ser votados os 168 requerimentos protocolados até esta sexta (27).

Desse total, 115 são pedidos de convocação de depoentes, dos quais 24 têm Cachoeira, Cavendish e Abreu como alvos (oito requerimentos para cada um), segundo dados disponíveis na página da CPI no site do Senado.

Cachoeira é o personagem central da CPI - apontado como chefe de uma quadrilha que explorava jogo ilegal em Goiás, ele é suspeito de ter montado uma rede de corrupção com influência sobre governos, parlamentares e empresas.

Segundo investigação da Polícia Federal, a Delta, uma das construtoras com mais contratos com o governo federal, repassou dinheiro para empresas fantasmas que abasteciam o grupo de Cachoeira. Na última quarta (27), o então presidente da Delta, Fernando Cavendish, se afastou do cargo. Cláudio Abreu foi preso nesta semana durante a Operação Saint-Michel, da Polícia Civil do Distrito Federal. A operação é um desdobramento da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou na prisão de Cachoeira em fevereiro.


Cachoeira e Delta são depoimentos mais pedidos por membros da CPI

Fernando Cavendish nega as acusações e disse que jamais pagou propina a políticos nem a empresas fantasmas. O advogado de Claudio Abreu, Roberto Pagliuso, disse que seu cliente tem colaborado com as investigações. Ele entrou com pedido de liberdade em favor de Abreu no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Outros alvos frequentes dos requerimentos de convocação dos parlamentares da CPI são Geovani Pereira, tesoureiro do grupo de Cachoeira; Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-sargento da Aeronáutica e informante do bicheiro; e Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Para cada um dos três, há cinco requerimentos de convocação protocolados na CPI.

Pagot diz ter sido demitido do órgão por pressão de Cachoeira depois de contrariar interesses da Delta em obras rodoviárias do governo. Dentre os requerimentos, há um pedido de acareação entre ele e Cachoeira.

Quatro requerimentos pedem a convocação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de usar o mandato em favor dos interesses de Cachoeira. Ele responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e é alvo de investigação no Conselho de Ética do Senado por suposta quebra de decoro parlamentar. A defesa de Demóstenes não nega que ele tenha uma relação "próxima" com Cachoeira, mas alega que as denúncias de irregularidades contra o senador são "factóides".

O advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, pede que o STF anule as gravações telefônias de conversas do senador com o bicheiro sob o argumento de que deveriam ter sido autorizadas pelo próprio STF, já que o senador tem foro privilegiado.

Outros quatro requerimentos pedem a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) - dois cada um. Em ambos os casos, as investigações da PF apontam influência do grupo de Cachoeira nos governos.

Perillo nega envolvimento com o bicheiro e pediu, por meio de seu advogado, para ser investigado pela Procuradoria-Geral da República. Em entrevista nesta sexta, ele disse ainda que está à disposição do PSDB e da CPI mista criada para investigar o elo de Cachoeira com políticos e empresários.

O governador Agnelo Queiroz nega qualquer relação com o grupo de Carlinhos Cachoeira e chama de "fantasiosas" as tentativas de envolvê-los no escândalo.

Além dos requerimentos que pedem a convocação de depoentes, os parlamentares da CPI também protocolaram pedidos de quebras de sigilo bancário, telefônico e fiscal; de informações sobre o inquérito no STF, sobre transações financeiras, sobre a Delta, entre outros. Nesta sexta, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, autorizou a CPI a ter informações do inquérito sobre Demóstenes Torres que tramita no tribunal.

Partidos

Dos 168 requerimentos protocolados na CPI, somente um é de autoria de parlamentar do PT, que indicou o relator da comissão (que conduz a investigação), o deputado Odair Cunha (PT-MG).

A maioria dos requerimentos é de autoria de parlamentares da oposição - 74 são do PSDB, 33 do DEM, 32 do PPS e 5 do PSOL. Há ainda 8 do PSC, 8 do PMDB, 4 do PR e 3 do PTB.

Reunião da CPI

Além da apreciação de requerimentos, na segunda reunião da CPI, na próxima quarta, serão apresentados o plano de trabalho formulado pelo relator e a cartilha de normatização dos trabalhos da comissão. Também está prevista a eleição do vice-presidente da comissão.

A CPI terá seis meses para investigar os fatos, mas o período pode ser prorrogado. Uma comissão de inquérito tem poderes para pedir quebra de sigilo fiscal e telefônico. Ao final, um relatório sobre a investigação será encaminhado para o Ministério Público Federal, que poderá tomar medidas judiciais cabíveis nas áreas cível ou criminal.

Fonte: G1