Cachoeira promete casar "no primeiro dia" depois de libertado

Contraventor falou em depoimento nesta quarta à Justiça Federal em Goiás

Em depoimento à Justiça Federal de Goiânia nesta quarta-feira (25), o bicheiro Carlinhos Cachoeira prometeu se casar com Andressa Mendonça "no primeiro dia" após ser libertado.

Ao ser perguntado pelo juiz se era casado, ele afirmou: "É uma pergunta difícil", arrancando risadas do público, e emendou: "Se o MP me liberar, no primeiro dia tá", disse, olhando para a mulher Andressa que estava sentada no local destinado aos familiares.

O contraventor começou a prestar depoimento por volta das 16h50 desta quarta-feira (24). Réu no processo referente à Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, ele é acusado de comandar um esquema de exploração de jogo ilegal em Goiás.

Esta quarta (25) é o segundo dia de audiências destinadas a ouvir testemunhas de acusação e defesa do processo referente à Operação Monte Carlo, na qual Cachoeira foi preso no fim de fevereiro. O contraventor e mais sete são réus na ação penal.

Além de Cachoeira, também são réus Lenine Araújo de Souza, apontado como braço-direito de Cachoeira; Gleyb Ferreira da Cruz, apontado na denúncia como auxiliar do contraventor; Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, suspeito de ter feito grampos ilegais a mando de Cachoeira; Wladimir Garcez, apontado como elo entre Cachoeira e o governo de Goiás; José Olímpio de Queiroga Neto, suspeito de atuar na abertura e fechamento de pontos de jogo ilegal; e Raimundo Washington Queiroga, irmão de José Olímpio. Geovani Pereira da Silva, acusado de ser o contador da quadrilha, é o único que está foragido.

Os réus respondem aos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, evasão de divisas, violação de sigilo profissional. Além disso, também foram enquadrados em contravenção penal pelo jogo ilegal.

Gravata rosa

O bicheiro Carlinhos Cachoeira chegou pouco antes das 9h desta quarta à sala de audiências. Ele chegou vestido com um terno cinza claro, camisa branca e gravata rosa. Acompanhado de agentes armados da Polícia Federal, ele cumprimentou com sorriso a mulher, Andressa Mendonça, e familiares que acompanham a audiência.

Testemunhas

Das testemunhas que estavam previstas para serem ouvidas neste segundo dia de audiência, prestaram depoimento na parte da manhã dois agentes da Polícia Federal, Renato Moreira e Daniel Guerra Ferreira.

Os procuradores do Ministério Público Federal, que indicaram os nomes como testemunhas de acusação, abriram mão de fazer perguntas. Os advogados dos réus fizeram diversos questionamentos sobre a atuação da PF na operação e a forma com que as ligações telefônicas interceptadas foram analisadas.

Depois disso, o juiz Alderico Rocha suspendeu a audiência para almoço, e os trabalhos foram retomados com o depoimento de testemunhas indicadas pelos réus. A testemunha Elizer Clemente disse que conhece o acusado Wladimir Garcez há 30 anos e que trabalhou com ele pois ambos são cirurgiões-dentistas. "Ele sempre foi muito correto."

Também indicado como testemunha, Luiz Otávio Vieira da Paixão afirmou que também conhece Garcez há 30 anos. "[Garcez] tem uma família muito unida, muito bonita. Não tem nada que conheço que desabone ele."

Adiamento e nulidade

Os advogados tentaram, sem sucesso, impedir o interrogatório dos réus. O advogado Leonardo Gagno, que defende três dos réus - Dadá e os irmãos Queiroga -, pediu o adiamento. "Que os interrogatórios sejam realizados após a perícia de todas as mídias eletrônicas apreendidas na casa dos réus, a fim de garantir a defesa na sua forma ampla."

O procurador Daniel Resende foi contra, argumentando que os acusados podem usar o direito constitucional de ficar em silêncio. "Mesmo que queiram falar, eles sequer têm o dever de falar a verdade."

O advogado Ricardo Sayeg, que defende Lenine, pediu a nulidade dos áudios grampeados que sustentaram a denúncia. "A defesa sustenta a absoluta nulidade de todo o monitoramento e interceptação telefônica", disse, atribuindo o pedido ao depoimento das testemunhas de acusação que falaram sobre como eram ouvidas as ligações grampeadas. O juiz disse que tomará a decisão após a fase de instrução, ou seja, após os interrogatórios.

Julgamento

O magistrado Alderico Rocha falou no início da audiência desta quarta que o julgamento dos réus deve demorar cerca de um mês. Após os interrogatórios, haverá prazo para a conclusão das diligências e, posteriormente, os advogados poderão apresentar as alegações finais antes de uma decisão da Justiça de primeiro grau. Depois disso, se condenados, ainda podem à segunda instância, que é o Tribunal Regional Federal.

Fonte: G1