Centenas protestam contra Renan na presidência do Senado

Centenas protestam contra Renan na presidência do Senado

Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Belém, Vitória, Florianópolis e Maceió tiveram protestos

Centenas de pessoas saíram às ruas em diversas cidades do Brasil neste domingo (24) em mais um dia de protestos contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Manifestações pedindo o afastamento de Renan da presidência da Casa já tinham ocorrido ontem em várias localidades do país. Os manifestantes se organizaram utilizando redes sociais na internet numa mobilização nacional contra o parlamentar.

Eleito por seus colegas de parlamento no dia 1º deste mês para comandar o Senado, Renan Calheiros foi acusado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de ter cometido os crimes de peculato, falsidade ideológica e falsificação de documentos, e de ter desviado verba de gabinete para pagar pensão a um filho na época em presidiu o Senado entre os anos de 2005 e 2007.

Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Belém, Vitória, Florianópolis e Maceió tiveram protestos. No Facebook, a comunidade "Fora Renan Calheiros" previa manifestações em 42 cidades, no Brasil e também no exterior ? era anunciado protestos em frente às embaixadas brasileiras em Dublin, Lisboa, Paris e Auckland, na Nova Zelândia, entre outras cidades. Somadas, mais de 10 mil pessoas manifestam apoio às páginas organizadoras de protestos criadas na internet.

São Paulo

Com narizes de palhaço e rostos pintados com as cores da bandeira do Brasil, um grupo de cerca de 200 manifestantes saiu em passeata no início da tarde de hoje na avenida Paulista, região central de São Paulo, pedindo o impeachment de Renan. A estimativa do número de manifestantes é da Polícia Militar.

Com dois dedos sujos de verde e amarelo, o estudante João Calfat tentava animar os transeuntes a participar do protesto. Os que demonstravam simpatia à causa ganhavam duas listras pintadas com guache em cada bochecha, a semelhança dos caras-pintadas que protestaram contra o então presidente Fernando Collor na década de 1990. "Acho que a juventude tem que começar a se mexer, a lutar um pouco por um país mais justo", disse.

Brasília

Com palavras de ordem, os participantes das manifestações contra Renan Calheiros em Brasília pediam - e eram atendidos - aos motoristas que passavam pela Praça dos Três Poderes, local do protesto, que buzinassem em apoio à manifestação.

O movimento reuniu na capital Federal cerca de 60 pessoas segundo os organizadores. Pelos cálculos da Polícia Militar do Distrito Federal, o número de manifestantes era de pouco mais de 40. Ontem, também em Brasília, os manifestantes marcharam do Museu da República até o gramado do Congresso Nacional levando cartazes e faixas e gritando palavras de ordem.

"A nossa expectativa é que as pessoas vejam o nosso movimento e lutem contra o que está ocorrendo. O brasileiro não tem formação política e é isso que a gente precisa criar no Brasil. As pessoas precisam saber que protestar é importante, pois assim exercemos a nossa cidadania", disse Amanda de Oliveira Caetano, estudante de Direito, 18 anos, e coordenadora do Dia do Basta, que será realizado no dia 21 de abril com novas manifestações.

Rio de Janeiro

Sob um calor de mais de 30º Celsius, dezenas de pessoas caminharam neste domingo na orla de Copacabana, zona sul da capital fluminense, pedindo a renúncia do presidente do Senado, Com faixas, cartazes e gritos de ordem, foram até o Leme, recebendo apoio dos banhistas.

A Guarda Municipal não estimou o número de participantes. Segundo a organização, eles somavam cerca de 100 pessoas.

De acordo com uma das organizadoras do ato no Rio, a assistente social Maria Abreu de Oliveira, de 40 anos, as pessoas precisam "ir às ruas como no impeachment do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello", em 1992.

"Não achamos justa a forma pela qual este senhor assumiu o Senado, é hora de tomar as ruas, pintar a cara e mostrar nossa indignação", disse Maria Abreu. "O brasileiro, por causa da repressão, não tem o costume de ir às ruas, mas é preciso resgatar o velho jeito de protestar e sair da internet", completou.

Belo Horizonte

Ao menos duas centenas de manifestantes de Belo Horizonte, segundo a Polícia Militar (PM), tomaram ruas e praças do Centro da capital mineira com faixas e cartazes pedindo a renúncia do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Na capital mineira, o grupo se reuniu na Praça Sete de Setembro e seguiu em passeata até a Praça da Estação, dois dos pontos de maior concentração de pessoas na cidade. De acordo com a PM, não houve problemas nem registro de ocorrências.

Um dos organizadores do protesto em Belo Horizonte, o administrador de empresas Cassius Marcellus, de 37 anos, afirmou que aderiu ao movimento - que ressaltou não ter "nenhum vínculo com partido, sindicato, organização não governamental (ONGs) ou time de futebol" - porque considera necessário que a população monitore o que políticos fazem nos poderes Executivo e Legislativo. "Votar em outubro a cada dois anos é muito pouco. E não adianta só ficar sentado atrás do computador ou da TV reclamando", observou.

Petição contra Renan reúne 1,5 milhões de assinaturas

Um abaixo assinado virtual foi criado em 1º de fevereiro, quando Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado, para pedir a saída do peemedebista da presidência da Casa. A petição contra Renan recebeu mais de 1,6 milhões de assinaturas. O número é quase o dobro de votos obtidos pelo senador em 2010, quando foi eleito parlamentar.

A petição online foi a primeira de uma série de manifestações dirigidas contra Renan. Na última quarta-feira, cerca de 30 manifestantes foram até o Congresso Nacional. Lá, estenderam uma bandeira sobre o gramado e entregaram simbolicamente a petição online pedindo o impeachment de Renan, que foi denunciado pelo Ministério Público por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.

Anteriormente, no dia 30 janeiro, outro protesto contra o senador pedia "Ficha Limpa" no Senado Federal, às vésperas da eleição que levou Renan à presidência da Casa. No ato de janeiro, os manifestantes foram impedidos de "lavar" a rampa do Congresso Nacional e não conseguiram entrar na Casa.

Renan deixou a presidência do Senado em dezembro de 2007 e quase perdeu o mandato depois de ser acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista de uma construtora. O dinheiro serviria para pagar o aluguel de um apartamento e a pensão da jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha. Renan admitiu ser amigo do lobista, mas negou ter recebido dinheiro.

Fonte: UOL