Chapa de Marina Silva e Beto Albuquerque com seu vice é oficializada pelo PSB

Chapa de Marina Silva e Beto Albuquerque com seu vice é oficializada pelo PSB

Em discurso emocionado, Marina agradeceu o apoio do PSB.

Em ato de oficialização como candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva repetiu nesta quarta-feira (20) frase dita por Eduardo Campos em sua última entrevista antes de morrer: "não vamos desistir do Brasil".

Em discurso emocionado, Marina agradeceu o apoio do PSB. "Sem Eduardo, temos o que sempre nos uniu: a consciência de onde queremos chegar juntos." Ela foi aplaudida sob gritos de "Eduardo presente, Marina presidente".

Sobre a sua divergência em relação às alianças fechadas por Campos em alguns Estados, Marina reafirmou que tudo segue como antes e que, nos palanques regionais em que ela foi contrária, o PSB será representado pelo seu vice. "Sob a liderança de Eduardo, conseguimos 14 Estados em que a Rede e o PSB estão de acordo com essas candidaturas majoritárias. (...) Foi decidido, em termos de coligação, (...) na escolha da minha condição de vice, (...) que o PSB tinha o direito de ter essas alianças e que eu seria preservada de ter que apoiá-las. O Beto representará o PSB junto a essas alianças. Eu continuo preservada." Em relação ao agronegócio, a ambientalista disse não ser contrária, mas favorável a um setor sustentável. "Temos vários agronegócios, tem muita gente que está na vanguarda de integrar economia com ecologia", disse, lembrando que, quando era ministra do Meio Ambiente, defendeu o manejo sustentável das florestas.

O nome da ex-ministra no governo Lula e ex-senadora ainda será avalizado em uma reunião protocolar prevista para amanhã com as Executivas dos demais partidos que compõem a coligação. O seu vice será o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS). Antes de começar o discurso, Marina disse que honraria o projeto de Campos. "Chego ao PSB com o sentido de responsabilidade, com o compromisso assumido nesses dez meses de intenso trabalho, com a disposição de honrar esse compromisso, de levar adiante juntamente com todos aqueles que estavam construindo esse projeto ao lado de Eduardo, levá-lo adiante com o apoio da sociedade brasileira, que viu revelar-se diante de si o tamanho e a grandeza do político que ele é", declarou. O PSB divulgou uma carta assinada pelo presidente do partido, Roberto Amaral, dirigida a Marina, a quem chama de "amiga", em que reitera a necessidade de o partido cumprir "compromissos já pactuados". Diz ainda que "eventuais divergências" serão superadas e "interesses menores", repudiados em nome da "coletividade".

Em um breve discurso, Beto Albuquerque lembrou a morte de Campos dizendo que o episódio representou a segunda grande derrota na sua vida. A primeira, afirmou, foi a morte, há cinco anos, do seu filho de 19 anos por leucemia. O parlamentar repetiu o mantra da dupla de Eduardo e Marina de que eles são a alternativa para uma nova política, sem espaço para as "velhas raposas". "Como disse Eduardo, vamos mandar para a aposentadoria ou a oposição as velhas raposas." Ele cometeu ainda uma gafe ao se confundir e dizer que irá "governar o Rio Grande [do Sul]", no lugar de "governar o país", provocando risos na plateia, formada por integrantes do PSB e jornalistas. Por uma exigência da lei eleitoral, a substituição dos integrantes da chapa precisa da anuência da maioria das seis siglas da aliança -- além do PSB, compõem a coligação PPS, PHS, PRP, PPL e PSL.

Marina, até então vice na chapa, assumirá no lugar de Eduardo Campos, morto em trágico acidente aéreo na semana passada. Com um discurso crítico ao agronegócio e evangélica de posições conservadoras, Marina disputará pela segunda vez o Palácio do Planalto e tentará superar o feito de 2010, quando ficou em terceiro lugar pelo PV (Partido Verde), com quase 20 milhões de votos (20%). Marina, até então vice na chapa de Campos, já entra na corrida eleitoral como um nome mais forte do que o do ex-governador de Pernambuco. Pesquisa Datafolha realizada logo após a morte dele deu indicativos de mudanças no xadrez político. No levantamento, Marina aparece com 21% dos votos no primeiro turno, o que a coloca em situação de empate técnico com o candidato do PSDB, Aécio Neves (20%). Em pesquisa anterior, Campos havia conseguido apenas 8%. A presença de Marina também empurra a decisão para um segundo turno, em que ficaria numericamente à frente de Dilma Rousseff (PT), com 47% das intenções de voto contra 43% da petista. É uma situação de empate técnico nos limites máximos da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Fonte: UOL