Ciro nega encontro com Lula sobre candidatura em SP

Ciro disse que sua relação com Lula não exige esse tipo de formalidade

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) afirmou hoje não ter reunião marcada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a sucessão no Palácio dos Bandeirantes nas eleições de outubro. Correligionários de Ciro vinham comentando que os dois deveriam se encontrar em meados de março, provavelmente no dia 15. "Fiquei sabendo da data pela imprensa. Nem eu nem o presidente Lula temos isso na agenda", afirmou o deputado. Ciro disse que sua relação com Lula não exige esse tipo de formalidade e que, quando o presidente chamá-lo, ele estará disposto a conversar sobre qualquer assunto.

Em entrevista concedida antes de sua participação no "Programa do Ratinho", da emissora SBT, na capital paulista, o deputado voltou a dizer que é pré-candidato à Presidência da República e que as chances de concorrer ao governo do Estado de São Paulo são "remotíssimas". Ciro, contudo, deixou novamente no ar a possibilidade de disputar a sucessão do governador José Serra (PSDB-SP): "Só fala que não há nenhuma possibilidade quem não tem apego à verdade. Em política, jamais digo coisas tão definitivas."

Ciro lembrou que o fato de ter transferido seu título eleitoral para São Paulo, no ano passado, já era uma indicação de que poderia aceitar o pedido do presidente Lula para ser candidato ao governo de São Paulo. "Se fiz isso, é porque alguma possibilidade havia e há. Mas é remotíssima", frisou. Apesar de quase descartar o governo paulista, Ciro mostra que tem prestado atenção aos problemas do Estado e já ensaia um eventual discurso caso entre na disputa.

Na entrevista ao apresentador Carlos Massa, o Ratinho, ele criticou os 16 anos do PSDB à frente do governo de São Paulo, fez críticas ao transporte público e observou o fato de serem sempre os mesmos políticos que compõem o secretariado do governo estadual. "O Paulo Renato Souza, por exemplo, é secretário da Educação. Ele já exerceu a mesma função no governo (André Franco) Montoro (1983-1987)", criticou. "Quanto ao transporte público, o trabalhador de São Paulo está fazendo uma terceira jornada. Isso vai piorar cada vez mais e ninguém paga por isso."

Dilma e Aécio

Ainda na entrevista, o deputado federal reiterou suas diferenças em relação à pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff, dizendo-se mais experiente que a petista. Na avaliação dele, candidatos inexperientes podem cometer erros graves e caírem em armadilhas armadas por inimigos. "Não é brincadeira", afirmou. O deputado disse ser muito arriscado colocar todos os ovos na mesma cesta, referindo-se a uma candidatura única da base de apoio à administração Lula. De acordo com ele, o lançamento de seu nome à sucessão no Palácio do Planalto teria a vantagem de assegurar um segundo turno nas eleições.

O deputado reiterou que cogita a hipótese de não concorrer à Presidência, caso o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), seja o candidato tucano à sucessão de Lula. "Minha candidatura perderia a urgência. Aécio é de uma geração mais jovem e encerraria o mal que é o confronto entre o PT e o PSDB de São Paulo", afirmou.

Questionado o motivo de não descartar de vez a candidatura ao governo paulista, Ciro afirmou que, além do presidente Lula ter lhe pedido que examinasse a questão, há um conjunto de nove partidos, lideranças sindicais, artistas e intelectuais que pede a sua consideração sobre a questão. Ele disse estar disposto a ajudar a coalizão de esquerda em São Paulo a encontrar um candidato ao governo.

Elogios a Kassab

No programa do Ratinho, Ciro defendeu o programa Bolsa-Família, do governo federal, o projeto de transposição do Rio São Francisco e apresentou o que seria sua eventual plataforma à Presidência: a ampliação da educação para jovens e a reforma do sistema de saúde.

Instado a opinar sobre personalidades da vida pública, em um dos quadros do programa, Ciro surpreendeu ao elogiar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Segundo ele, o democrata é um bom prefeito, mas está encontrando dificuldades de administração em uma cidade mal planejada.

No mesmo jogo, Ciro definiu o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, como "sargentão". Sobre Fidel Castro, disse ter profundo respeito pelo líder cubano, mas afirmou que Fidel não soube a hora de sair da vida pública.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br