Devido seca, Dnocs admite que o Piauí terá que racionalizar água

Devido seca, Dnocs admite que o Piauí terá que racionalizar água

Essa ação não está relacionada com o momento atual, e sim com a chance de faltar água no futuro, com a manutenção da seca.

Com grande chance de prolongamento da seca no Piauí os órgãos ligados a manutenção de barragens estão trabalhando com a possibilidade de racionamento de água. Essa ação não está relacionada com o momento atual, e sim com a chance de se faltar água no futuro com a manutenção da seca. De acordo com o coordenador do Dnocs, José Carvalho Rufino, a medida deve ser avaliada e proposta ao Governo do Estado.

O coordenador coloca que os reservatórios do Piauí estão com 60% e 70% de sua capacidade e agora o momento é de se pensar em invernos não regulares. ?Este ano as barragens não renovaram suas águas e por isso existe possibilidade de que o período de seca permaneça pelos próximos meses. Se isso acontecer, será necessário o uso controlado de água nas barragens dirigidas pelo Dnocs para priorizar o abastecimento humano?, frisa.

José Carvalho revela ainda que o Governo do Estado, juntamente com o Departamento Nacional de Obras Contras a Secas no Piauí, está planejando ações que permitam atender as famílias e ao mesmo tempo mantenham um bom nível de água caso a estiagem se agrave.

Ele destaca também que barragens importantes do Piauí estão sendo usadas para regularizar o leito dos rios Piauí, Canindé, Itaim e outros. ?Será marcada uma reunião com o diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (Idepi), Elizeu Aguiar, para que seja discutido questões sobre o uso racional de água?, destaca.

Além dessas medidas o Dnocs propor ao Governo do Estado que uma comissão formada pelo DNOCS, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) e Idepi visite os reservatórios mais importantes para avaliar a situação, levantar números, avaliar cada barragem e traçar ações que deem segurança de água reservada futuramente para consumo da população.

Cresce número de cidades em emergência

Com a atual situação de estiagem no Piauí, que já atinge aproximadamente 250 mil famílias, principalmente no semiárido, vários representantes de órgãos estaduais estão se mobilizando para tratar sobre ações integradas contra a seca. Em muitos municípios não há água potável para consumo humano e animal e, em alguns casos, agricultores já perderam tudo. Até o momento, o Governo do Estado reconheceu estado de emergência em 94 municípios.

Em reunião na última quarta-feira (02), o governador Wilson Martins, juntamente com representantes do Exército e órgãos estaduais que atuam no combate à seca discutiram ações contra a estiagem, especialmente no semiárido.

Para reduzir os efeitos negativos da seca, uma das medidas é a Operação Carro-pipa, executada pelo Exército no Piauí que atende 50 municípios.

De acordo com o governador, existe uma maior preocupação em relação aos municípios onde a falta de água já chegou aos centros urbanos, como São Raimundo Nonato, Dom Inocêncio, Pio IX, Caracol e São Braz. Além dessa ação, a Secretaria de Defesa Civil, vem atuando no amparo emergencial e a Secretaria de Desenvolvimento Rural está trabalhando com ações de médio prazo, como a construção de barraginhas.

De acordo com Evandro Luz, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí, (FETAG), 97 municípios decretaram situação de emergência, mas apenas 94 foram reconhecidos. ?Daqui para frente esse número deve aumentar ainda mais. A situação está ficando cada vez mais crítica. A população não tem o que comer e a sua renda está comprometida?, diz.

Evandro Luz coloca ainda que inicialmente devem ser contratados pelo 25º Batalhão de Caçadores e coordenado pelo Ministério da Integração, 300 carros-pipa. ?Tem cidades em que a demanda é de 10 carros-pipa e por isso, pode ser que mesmo com esse reforço a situação ainda continue crítica?, declara Evandro, dando ênfase que, neste momento, os municípios estão aguardando a distribuição de alimentos e a liberação das parcelas do Garantia Safra e do Bolsa Estiagem.

Fonte: Aline Damasceno