Congresso faz pausa em recesso e vota ajuda ao Rio

Preocupação de Maria do Rosário é a vulnerabilidade das crianças e adolescentes

Deputados e senadores farão uma pausa nesta quinta-feira (20) no recesso parlamentar para analisar a MP (medida provisória) que libera R$ 780 milhões para o atendimento de vítimas das chuvas que atingem o Sudeste, especialmente a região serrana do Rio de Janeiro.

Os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS), convocaram um encontro da comissão representativa do Congresso, colegiado composto de 17 deputados e oito senadores que se reúne no período de recesso para analisar medidas de caráter emergencial. Os parlamentares só voltarão ao trabalho no dia 1º de fevereiro.

Nesta quarta-feira (19) o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que 12 geólogos estão na região serrana do Rio de Janeiro para tentar localizar as áreas onde ainda existem riscos de deslizamentos nos municípios. Segundo ele, o novo mapeamento deve ficar pronto em seis meses.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, visitou as cidades atingidas pelas chuvas. Durante a visita foi Criado um comitê para proteger jovens vítimas da tragédia na serra fluminense.

Na terça-feira (18), a tragédia completou uma semana e novos deslizamentos foram registrados em Petrópolis. Segundo as prefeituras, a previsão para uma reconstrução parcial dos municípios mais afetados, como Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo, é de cerca de um ano.

Para ajudar as cidades na reconstrução, o Banco Mundial anunciou um empréstimo de R$ 800 milhões para o Rio. A presidente Dilma pediu ao banco que acelere a liberação de verbas para o Estado. Outra medida tomada nesta terça foi a liberação dos orelhões para ligações gratuitas. A intenção é que os sobreviventes possam se comunicar com familiares e amigos.

A catástrofe que já deixou centenas de mortos e milhares de desabrigados e desalojados ganha capítulos novos a cada instante e o número de vítimas fatais já passou de 710.

As proporções da tragédia puderam ser percebidas nos primeiros dias. Na quinta-feira (13), a presidente Dilma Rousseff sobrevoou a área e viu de perto os estragos causados pelas chuvas. Na sexta (14), liberou R$ 100 milhões para o Estado do Rio.

No mesmo dia, em Teresópolis, denúncias de saques a algumas lojas espalharam o medo pelo município. Em Nova Friburgo houve um boato sobre o rompimento de uma represa. O episódio foi marcado por correria e desespero.

No sábado (15), os preços abusivos dos comércios chamaram a atenção. Um galão com 20 litros de água era vendido por R$ 40 e um pacote de cinco quilos de arroz saía por até R$ 50. Diante da atitude oportunista, a polícia anunciou que prenderia quem voltasse a agir desta maneira.

Como se não bastassem os problemas internos, as estradas em péssimas condições dificultaram a chegada de donativos. Também por isso, o fim de semana foi marcado pela solidariedade. Motoqueiros, jipeiros e montanhistas ajudaram no acesso e permitiram que ao menos boa parte do material chegasse ao destino.

Como forma de reação à catástrofe, os prefeitos das três cidades mais afetadas se uniram e anunciaram na segunda-feira (17) o chamado consórcio intermunicipal, que consiste em integrar ações coordenadas para promover a retomada da atividade econômica mais rapidamente.

O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlacek, explicou os objetivos da ação conjunta.

- Precisamos pensar no médio-longo prazo na infraestrutura das cidades. Precisamos ter um objetivo coletivo para que a gente tenha força junto ao governo federal e aos organismos internacionais.

Ainda na segunda, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou uma mudança no critério de seleção dos beneficiados do programa Minha Casa Minha Vida, em favor das vítimas das chuvas na região serrana. Os moradores de áreas de risco nos municípios afetados serão os primeiros a serem assistidos pelo programa do governo federal.

O forte temporal provocou ainda a mudança do mapa geográfico de Nova Friburgo. O vento, a chuva e os deslizamentos de terra modificaram o curso do córrego Dantas, que percorre os bairros de Conquista até o centro, em um trecho de oito quilômetros.

Segundo o presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), Ícaro Moreno, a enchente chegou a modificar a largura do córrego de 4 m para 100 m.

Tragédia das chuvas

O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro na terça-feira (11) deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.

As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.

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No final da noite de sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais) e voluntários, também estão ajudando e recebem doações.

Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) são enterrados em covas improvisadas. Hospitais estão lotados de feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes.

Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.

- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.

Fonte: R7, www.r7.com