Corpo do ex-deputado federal Marcio Moreira Alves é cremado no Rio de Janeiro

O velório aconteceu durante a manhã na sede da Alerj, a Assembleia Legislativa do Rio,

O corpo do jornalista e ex-deputado federal Marcio Moreira Alves foi cremado, no Cemitério do Caju, por volta das 15h deste sábado (4).

O velório aconteceu durante a manhã na sede da Alerj, a Assembleia Legislativa do Rio, no Centro da cidade, com a presença de dezenas de parentes, amigos e políticos.

Antes que o corpo deixasse o palácio, Frei Betto prestou uma homenagem emocionada ao amigo.

O governo do Rio decretou três dias de luto oficial em respeito à morte de Moreira Alves. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, também anunciou luto no município a partir de segunda-feira (6).

"É uma perda irreparável para o país; ele era um jornalista brilhante", disse o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que compareceu ao velório.

Familiares e amigos chegam ao local para prestar homenagem a Moreira Alves, que morreu, aos 72 anos, no fim da tarde de sexta-feira (3), no Hospital Samaritano, de falência múltipla de órgãos.

Homenagens

"Ele era um bom jornalista e um mau político, porque falava o que pensava. Não conseguia dizer o que não pensava", afirmou Pedro Afonso Moreira Alves, de 49 anos, filho do jornalista. Ele disse que guarda recordações dele como "um pai brincalhão".

O prefeito do Rio lamentou a morte do ex-deputado. "É a perda de um grande brasileiro. Ele é um desses guerreiros da democracia brasileira que nos permite estar aqui hoje. Se hoje eu sou o prefeito desta cidade, eu devo isso a Marcio Moreira Alves. Se todos nós brasileiros podemos hoje votar e expressar nossa opinião, a gente deve isso à luta dele."

O ex-governador da Bahia Waldir Pires, que conviveu com Moreira Alves durante o exílio, lembrou a contribuição do ex-deputado federal para a sociedade brasileira. ?Eu o conheci bem durante o exílio. Ele deixou uma contribuição de um homem que lutou para construir um Estado democrático; o exemplo do Marcio é para que a gente continue lutando", afirmou.

O ex-deputado David Lerer, que foi colega de Marcio Moreira Alves tanto na Câmara quanto no exílio, lembrou sua trajetória política, marcada pela luta contra o Regime Militar. "O Marcio é o símbolo de uma época em que os políticos se moviam por ideais, eram políticos de combate, não estavam atrás de mordomias, empregos e cargos, estavam na luta contra a ditadura e por um Brasil melhor", disse.

O deputado Jorge Picciani, presidente da Alerj, também falou sobre a importância de Moreira Alves para a política brasileira. ?Se hoje temos liberdade de expressão, devemos agradecer a pessoas como Moreira Alves, que lutou muito pelos direitos políticos em nosso país", afirmou Picciani.

Carreira

Marcio Emmanuel Moreira Alves nasceu no Rio, no dia 14 de julho de 1936. Iniciou suas atividades profissionais aos 17 anos como repórter do Correio da Manhã, jornal do Rio de Janeiro.

Segundo o seu site pessoal, no dia 2 de setembro de 1968, em protesto contra a invasão da UnB, o já deputado Marcio Moreira Alves pronunciou um discurso na Câmara, sugerindo um ?boicote ao militarismo?, que ninguém participasse das comemorações no 7 de setembro.

Ainda de acordo com o seu site pessoal, o pronunciamento foi considerado como ofensivo ?aos brios e à dignidade das forças armadas?. No dia 13 de dezembro, o então presidente Costa e Silva editou o Ato Institucional 5, o AI-5. O site do jornalista, entretanto, descarta a ligação do pronunciamento com o decreto.

"Na verdade o discurso de Marcio Moreira Alves foi apenas um pretexto, já que as medidas trazidas pelo ato eram as mesmas defendidas pelos militares desde julho."

Fonte: g1, www.g1.com.br