Cristina Kirchner diz ser alvo de perseguição e se compara a Lula

Ex-presidente da Argentina responde a processo judicial

Em audiência realizada nesta segunda-feira (31), a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner se comparou a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que governou o Brasil entre 2003 e 2010. Ela foi interrogada pelo juiz federal Julián Ercolini em razão de um processo que responde por suposto favorecimento ao empresário Lázaro Baez em licitações públicas.

Cristina, que foi presidente da Argentina entre 2007 e 2015, é acusada de ter recebido propina de Báez durante sua gestão. O empresário está preso por lavagem de dinheiro em um esquema que envolvia a simulação de aluguel de quartos de hotéis que não foram, de fato, utilizados por hóspedes.

A ex-presidente não respondeu às perguntas feitas pelo magistrado, estratégia que já havia sido previamente anunciada pela defesa. Ao término da audiência, ela falou com jornalistas e afirmou que o processo contra ela é um “disparate”.

Argentina Cristina Kirchner (Crédito: Divulgação)
Argentina Cristina Kirchner (Crédito: Divulgação)

“É um disparate maiúsculo achar que eu tive uma associação ilícita liderada pelo Executivo com diferentes funcionários públicos. É uma manobra formidável de perseguição política que não é original, que também acontece no Brasil e tem como foco o ex-presidente [Luiz Inácio] Lula da Silva. É uma manobra em nível regional", afirmou aos repórteres.

Além de se dizer vítima de ataques orquestrados, a ex-líder da Argentina acusou o atual presidente, Mauricio Macri, de ter promovido a aceleração da tramitação deste processo para encobrir o que ela chama de “desastre” que está acontecendo no país. "Os preços nos supermercados aumentam, os salários não sobem e não se convocam as paritárias [como são chamadas as negociações entre governo e sindicatos na Argentina]. É claro que o dinheiro não chega para alguns, mas sobra para outros", acrescentou.

Citado pela colega latino-americana, Lula é réu em três ações penais decorrentes das investigações da Operação Lava Jato, que apura um esquema de cartel e desvio de recursos da Petrobras. Para o PT, partido do ex-presidente, Lula é alvo de perseguição política e as acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) e aceitas pelo juiz Sérgio Moro são “descabidas e sem provas”.

Em outubro, apoiadores de Lula fizeram vigília em frente ao prédio onde o petista mora, em São Bernardo do Campo (SP) para impedir uma eventual prisão do ex-presidente. A mobilização foi feita após circular na internet boato de que a detenção ocorreria na manhã do dia 17, o que acabou não se confirmando.

Fonte: iG