Debate: Russomanno é poupado e vê "briga" entre Serra e Haddad

Líder nas pesquisas vê adversários que dividem tecnicamente 2º lugar protagonizarem embates.

Empatados tecnicamente em 2.º lugar na corrida pela Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) evitaram atacar Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas, no debate promovido na segunda-feira, 17, pelo Grupo Estado, pela TV Cultura e pelo YouTube.



Tanto o tucano como o petista tiveram chance de se manifestar sobre o adversário do PRB, mas preferiram criticar um ao outro, mantendo a estratégia adotada no horário eleitoral e nos eventos de rua. A troca de farpas envolveu a entrada da presidente Dilma Rousseff na campanha de Haddad, a nomeação da ex-prefeita petista Marta Suplicy para o Ministério da Cultura e a renúncia de Serra à Prefeitura, em 2006, para concorrer ao governo do Estado.

No início do programa, todos os candidatos foram instados pelo mediador do debate, Mario Sergio Conti, a analisar o fato de Russomanno estar em 1.º lugar nas pesquisas. Serra e Haddad se limitaram a afirmar que o panorama pode mudar. "Não me sinto à vontade para falar da trajetória de um candidato", disse o tucano. "Grande parte do eleitorado ainda está apática", afirmou o petista.

Naquele momento, coube a Paulinho da Força (PDT) o ataque ao líder. O primeiro acusou o adversário de ter votado contra "projetos de interesse do povo" como deputado. "É um candidato que tem duas caras, uma que fala para os pobres e outra que tira direitos deles", afirmou.

Em outro bloco, quando os candidatos puderam fazer perguntas um ao outro, Russomanno escolheu Serra e o questionou sobre o "caos na saúde", destacando problemas no principal setor de atuação do tucano.

Foi o único momento em que Serra, ao se defender, investiu contra Russomanno, ao apontar as relações históricas do adversário com Paulo Maluf. O tucano disse ainda não ter visão "catastrófica" sobre a situação da saúde. "Fico me perguntando se você anda pelas periferias", retrucou o candidato do PRB.

Ao atacar Serra, Haddad relacionou a renúncia do tucano ao cargo de prefeito ao fato de a cidade ter uma das gestões mais mal avaliadas do País. O petista citou pesquisas ao dizer que 80% dos paulistanos querem "mudanças" na cidade. "Quero ser o prefeito da mudança", respondeu Serra. O tucano lembrou que o PT, que hoje critica o prefeito Gilberto Kassab (PDT), "correu atrás" dele em busca de uma aliança, no início do ano.

O tucano negou ter sido agressivo ao dizer que a presidente Dilma Rousseff não deveria "meter o bico" em São Paulo, mas voltou a criticar a presidente, a quem acusou de nomear Marta Suplicy para o Ministério da Cultura como forma de garantir o apoio da ex-prefeita a Haddad.

No bloco em que os jornalistas João Bosco Rabello, Gustavo Chacra, Julia Duailibi e Bruno Paes Manso, do Grupo Estado, fizeram perguntas aos candidatos, Russomanno foi questionado sobre a possibilidade de nomear representantes da Igreja Universal para seu secretariado. Ele negou que a igreja controle seu partido.

Questionado sobre uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que citou possível desgaste de seu partido na cidade, Serra negou que o ex-presidente tenha dito isso. Em entrevista ao Estado, porém, FHC disse que há "um pouco de cansaço do eleitorado com a predominância do PSDB por longo tempo" no poder em São Paulo.

Fonte: estadão.com.br