Decisão de fazer parceria com China em gasoduto foi "ideológica", diz Lula

O gasodto, que possui 1.387 quilômetros de extensão, custou R$ 7,2 bilhões no total

Durante a inauguração do Gasoduto da Integração Sudeste-Nordeste (Gasene), em Itabuna (BA), nesta sexta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a decisão de financiar a obra com um banco chinês, e não com um japonês, foi "ideológica".

O gasodto, que possui 1.387 quilômetros de extensão, custou R$ 7,2 bilhões no total. O trecho inaugurado nesta sexta, o maior e o último, tem 954 quilômetros e custou R$ 4,8 bilhões. O custo do último trecho foi financiado pelo banco chinês CDB, segundo a assessoria da Petrobras.

"Já tínhamos um trabalho avançado com um banco japonês para financiar a obra quando, em 2004, lá na Granja do Torto (uma das residências oficiais do presidente), eu e uns ministros fomos discutir se a gente ia fazer parceria com o Japão ou com a China. E nós entendiamos que era necessário o Brasil se aproximar da China e era preciso construir parceria estratégica entre os dois países", contou.

Segundo o presidente, foi "a primeira e última vez" que um assunto foi colocado em votação entre os ministros. Eles votaram se preferiam o financiamento com o banco chinês ou com o banco japonês. Foram dois votos para o Japão e quatro para a China.

Negociação difícil

O presidente ainda brincou com a negociação que houve para que fosse acordado o financiamento.

"Os chineses não são fáceis. A cara do embaixador é uma cara muito simpática. A cara dos direitores da empresa chinesa são simpáticas. Mas o chinês é duro na negociação. Eles negociam com a alma, com fé, com o coração e são duros na queda. Acontece que eles encontraram diante deles a Petrobras que, em se tratando de dureza, não fica devendo a nenhum chinês e a nenhum país do mundo."

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que o gasoduto é a "primeira grande obra na relação estratégica que existe com a China".

Fonte: g1, www.g1.com.br