Defesa de Cachoeira pede a CPI para adiar depoimento para terça

Advogados querem cópia do inquérito e três semanas para formular defesa

A defesa do bicheiro Carlinhos Cachoeira protocolou nesta sexta-feira (18) pedido à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para adiar o depoimento do contraventor, marcado para a próxima terça (22). No documento, os advogados argumentam que não conseguirão analisar antes da oitiva os mais de 90 mil áudios e 15 mil páginas do inquérito da Polícia Federal com a investigação.

Eles pedem cópias dos documentos e um prazo de três semanas contado a partir da retirada dos documentos, para que seja remarcado o depoimento. Com a alegação de que estaria havendo "cerceamento de defesa", os advogados de Cachoeira já conseguiram adiar uma vez a ida dele à CPI, prevista para a última terça (15). O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello aceitou pedido para suspender o depoimento até que fosse liberado acesso ao inquérito.

Na reunião de terça da comissão, os deputados e senadores aprovaram a consulta dos advogados do contraventor aos documentos sigilosos, a fim de que pudessem formular a defesa. O depoimento de Cachoeira à comissão foi então remarcado para a próxima terça (22). Para evitar vazamentos, a CPI não permite a retirada dos documentos de uma sala fechada no Congresso, apenas a consulta nos computadores.

De acordo com dados da secretaria da comissão, os advogados de Cachoeira visitaram apenas um dia, na quarta-feira (16), a sala da CPI que guarda os documentos sigilosos. A defesa do bicheiro permaneceu no local por 2 horas e 52 minutos.

Os registros da secretaria da comissão mostram que o advogado Augusto Botelho Neto entrou no local na quarta-feira às 13h02 e deixou a sala às 13h33. No mesmo dia, a também advogada do bicheiro Kamilla Cristina de Matos Souza consultou os inquéritos entre 15h59 e 18h20. Depois de quarta, nenhum advogado voltou a acessar as informações, segundo a secretaria da CPI.

Difícil manuseio

A advogada Dora Cavalcanti, que representa o bicheiro, afirmou que os dados contidos nos computadores da CPI são de difícil manuseio, o que torna lenta a análise dos documentos. Ela argumentou que não há, por exemplo, ferramenta de busca para localizar os trechos mais relevantes dos inquéritos.

"Não adianta entrar na sala no fim de semana. Não dá para examinar na CPI. Teríamos que passar anos na sala. Não tem ferramenta de busca. Os próprios deputados e senadores sabem a dificuldade em acessar", afirmou.

A advogada disse que entrou no STF com uma petição alegando que não há tempo hábil para elaborar a defesa com base nos documentos até a próxima terça. "Um aspecto é a dificuldade de localizar os documentos mais importantes, sem ferramentas de busca. O outro é o tempo. Estamos falando de trabalho aí para mês, não dias", afirmou.

Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), o objetivo dos advogados é retardar os trabalhos da CPI. "Isso é uma protelação, é um mecanismo para esfriar a CPI , é um mecanismo para inviabilizar a comissão. Eu não acredito que o ministro Celso de Mello defira um novo adiamento", disse.

Fonte: G1