Novo delator confirma R$ 10 mi ao PSDB para que CPI fosse abafada

O repasse de R4 10 milhões seria para que a CPI fosse evitada

Novo delator Carlos Alexandre de Souza
Novo delator Carlos Alexandre de Souza

O novo delator da Operação Lava Jato Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará revelou na Procuradoria-Geral da República o pagamento de R$ 10 milhões ao presidente do PSDB senador Sérgio guerra (PE), morto em 2014, para "abafar"a CPI da Petrobras de 2009, às vésperas do ano das eleições presidenciais em que Dilma Rousseff (PT) chegou ao Palácio do Planalto.

O repasse milionário ao ex-presidente do PSDB foi revelado pela primeira vez em agosto de 2014. Na época o delator era o engenheiro paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras que confirmou que a empreiteira Queiroz Galvão tinha sido a responsável por providenciar o dinheiro.

Outro delator, o doleito Alberto Youssef, também tinha confirmado o pagamento ao PSDB. O partido e a empreiteira negam o repasse do valor ilícito.

Ceará aponta em seu depoimento, o ex-deputado José Janene (PP/PR) como sendo o mentor do esquema de proprinas na Petrobras. . "José Janene falou claramente o seguinte: 'A CPI terminou em pizza'". De acordo com Ceará o ex-deputado, morto em 2010, era um dos cabeças do esquema de corrupção instalado na Petrobras.

Em sua delação, Ceará revelou a entrega de R$ 300 mil para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por um executivo da empreiteira UTC - uma das líderes do cartel que atuou na Petrobras entre 2004 e 2014, corrompendo e e superfaturando preços em contratos bilionários, em conluio com políticos e executivos da estatal petrolífera.

"Em 2009, Alberto Youssef disse que, para 'abafar' a CPI da Petrobras, teria que entregar R$ 10 milhões para o líder do PSDB no Congresso Nacional, além de outros valores para outros políticos", registra a Procuradoria-Geral da República. "Parte desse dinheiro deveria ser retirado do 'caixa' do Partido Progressista, formado com propina oriunda de contratos de empreiteiras com a Petrobras."

O PSDB nacional foi procurado e não respondeu aos questionamentos. Em outra ocasião, divulgou nota defendendo que o caso seja investigado. "O PSDB defende que todas as denúncias sejam investigadas com o mesmo rigor, independente da filiação partidária dos envolvidos e dos cargos que ocupam."

A Petrobras informou por meio de nota que não iria se manifestar, "uma vez que o assunto está sendo investigado pelas autoridades competentes".

Ceará fez dezenove depoimentos à Procuradoria-Geral da República, entre 29 de junho e 2 de julho de 2015.







Fonte: Uol