Advogado afirma que Demóstenes está pronto para perguntas

Advogado afirma que Demóstenes está pronto para perguntas

No conselho, ele discursará; na CPI, poderá ficar calado, afirmou defensor

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no processo do Conselho de Ética que o investiga por quebra de decoro parlamentar, afirmou que ele está "preparado" para responder aos questionamentos dos senadores. Demóstenes presta depoimento ao Conselho de Ética na próxima terça (29).

"A grande expectativa é pelo que será perguntado. Não temos como saber o que os parlamentares vão querer saber, se estará além da representação, mas ele [Demóstenes] está preparado para dar todas as respostas", disse o advogado.


Demóstenes está

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay (Foto: Wilson Dias / Ag. Brasil)

As declarações no Conselho de Ética serão as primeiras explicações do senador sobre sua relação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal em fevereiro durante a Operação Monte Carlo. Demóstenes responde ao processo no colegiado por suspeita de ter utilizado o mandato para auxiliar os negócios de Cachoeira.

Segundo Kakay, o depoimento de Demóstenes irá começar por um discurso, em que ele pretende apresentar um pouco sobre sua história parlamentar. Após o discurso, que deve durar cerca de 20 minutos, o senador se colocará à disposição para responder às perguntas dos senadores.

Demóstenes falará ao conselho depois que duas testemunhas de defesa arroladas no processo se negaram a depor. A primeira negativa veio do advogado de Goiás Ruy Cruvinel, que prestaria depoimento na última terça. Ele alegou motivos "pessoais e familiares" para não comparecer. A segunda negativa foi do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

O depoimento de Demóstenes deverá ser último no Conselho de Ética antes da elaboração do relatório final, de autoria do senador Humberto Costa (PT-PE). O parlamentar já afirmou que a previsão de votação do relatório no conselho é final de junho.

CPI do Cachoeira

Além do depoimento no Conselho de Ética, o senador Demóstenes Torres é esperado nesta semana para prestar depoimento na CPI mista que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários.

O depoimento está marcado para a próxima quinta-feira (31), mas o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro admite que o senador poderá ficar calado.

"A CPI é uma decisão jurídica. Vamos avaliar como serão as perguntas que ele terá de responder no conselho para depois saber se será necessário ele falar na CPI ou não", afirmou o advogado.

Antes de Demóstenes, a CPI tem programados para quarta-feira (30) os depoimentos do ex-diretor da construtora Delta Cláudio Abreu, além de Gleyb Ferreira, José Olímpio de Queiroga e Lenine Araújo de Souza, auxiliares de Cachoeira.

Na condição de testemunha, a CPI convocou para prestar depoimento o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincon, citado em escutas telefônicas da Polícia Federal.

Delta

Na terça-feira (29), a comissão deve votar a quebra o sigilo das contas nacionais da construtora Delta. As investigações da Polícia Federal mostram que a empresa Alberto & Pantoja Construções recebeu R$ 26 milhões da Delta nacional. A empresa funcionaria numa oficina mecânica, numa cidade perto de Brasília.

Os parlamentares cobram a quebra de sigilo da empresa em razão de evidências de que a empresa tenha repassado milhões a empresas de fachada que abasteceram a quadrilha de Cachoeira.

Na conta da Brava Contruções, que, segundo a polícia, também é uma empresa de fachada que serviria ao esquema de Carlinhos Cachoeira, a Delta nacional depositou pouco mais de R$ 13 milhões.

Governadores

A discussão na CPI sobre a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), também ficou para a próxima terça-feira (29).

De acordo com investigações da Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira em fevereiro, auxiliares dos governadores de Perillo e Agnelo são citados em conversas telefônicas com integrantes da quadrilha do contraventor.

Já o governador do Rio, Sérgio Cabral, aparece em fotos ao lado do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, durante uma viagem a Paris.

Fonte: G1